A Onça (Simplesmente Aconteceu)

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , em dezembro 29, 2011 por Deivson Prescovia

Não era nada demais. Não havia motivos a que a fizesse destacar entre as demais. Não a primeira vista. Sua beleza, a princípio, não me chamou atenção alguma. Mas, até que era de se destacar, devido ao modo de andar, falar e agir, até mesmo seu olhar, era único. Principalmente os olhares que vinham em minha direção. No entanto, isso não é o suficiente para despertar algo em mim, a princípio. No decorrer do tempo, fomos criando laços de amizade. Frágeis, pois, não me transmitia muita confiança. Percebi, com o tempo, que nós tínhamos algumas coisas em comum, e muitas coisas incomuns. Pensamentos e visões que seguiam na mesma direção. Algumas opiniões que são totalmente opostas, principalmente o modo de lidar com as pessoas.

Criamos afinidades e passamos a trocar e-mails, mensagens, entre outros. A partir dai consolidamos a nossa relação. O problema é que as nossas conversas começaram a tomar um rumo muito quente. A ponto de eu ter atitudes que eu não teria coragem, em outro momento. Mesmo assim, havia ainda um problema maior. E eu sabia bem qual era esse problema. Por conta disso, eu não poderia se quer me aproximar do felino daquela maneira. Sabia que eu não deveria fazer isso. Mas, era tão mágico. Era um momento só nosso. Era gostoso. Fazia-me feliz, como a muito tempo não me sentia. Sufocado por essa situação, resolvi contar o que estava se passando para amigos. Alguns viram isso como uma coisa boa, enquanto outros não. A maioria me aconselhou a “fugir”. Ir para longe. Não faça isso, pois você sairá machucado dessa história, diziam. Mas, meu coração dizia totalmente o contrário. Não tinha como me machucar. Ela gosta tanto de mim. Seus olhares, seu toque, suas palavras. Eu não via como uma criatura tão doce poderia me ferir. Eu deveria ter ouvido os conselhos, apesar de tudo.

Ignorando o óbvio, decidi caminhar na direção que meu coração me guiava. Ascolta il tuo cuore! Fai quel che dice anche se fa soffrire, é a frase que passava em minha mente e soava em meus ouvidos. Eu não enxergava o que os meus amigos viam. Não era como eles diziam. E ainda por cima, havia a culpa pesando sobre meus ombros. Os amigos preocupados. Coração apertado. Pensamentos a mil, tentando desvendar o futuro. Medindo, antemão, as alegrias e tristezas que eu poderia viver com essa história. E claro, que neste momento, o primeiro superava o segundo, a ponto de eu quase nunca ver lágrimas e mágoas. E a onça lá. Seduzindo-me, com sua bela pelagem e seu olhar marcante. Suas garras, em mim, transformava-se em doces carinhos, que me transportavam para outra dimensão. Para um lugar onde eu estava poucas vezes. Seu toque fazia meu coração acelerar. Não via nada de ruim nisso. Sentia-me amado, desejado. E claro, que com as conversas tendo um sentido mais quente, não foi difícil da onça descobrir que eu era virgem. E eu nunca esperei, na verdade, nunca imaginei, nunca passou pela minha cabeça, que o felino estava preocupado com isso. Alguns amigos já haviam me alertado sobre isso, mas, eu não acreditei. Não consegui ver ainda. Em minha visão, a onça não era assim. Meu Deus! Como pude me deixar levar? Sinto-me tão idiota. Eu a coloquei em um pedestal. Não havia lugar melhor, e um cego melhor do que eu para fazê-lo. Felinos, gostam de ser paparicados.

Já era nítido. Estava realmente apaixonado pela onça. Preocupei-me. Quase não dormia pensando em toda essa situação. Eu não poderia me apaixonar. Não. Havia coisas que eu não poderia mudar. Coisas que eu sabia que não iriam mudar – apesar de que, francamente, eu acreditei que mudariam. No fundo. Lá no fundo, quase no chão, eu ainda tinha uma esperança. Mas, eram tantos anos, uma vida. E eu oferecia o que? Quanto tempo? Comparado ao que já havia vivido eu era apenas um risco de lápis, que posteriormente, seria apagado. Até que uma notícia aumentou minhas esperanças. No entanto, isso não me alegrou, pois, eu vi nos olhos do felino a tristeza. A dor, que um dia eu havia sentido. Não sabia explicar. Vi-me em seu olhar. Como posso ficar feliz, sendo que ela estava triste? E, contra meu coração e minha vontade, comecei a torcer para que tudo fosse solucionado da melhor forma possível, apenas para não ver mais aquele olhar em seu lindo rosto. Idiota (Eu). Então, os dias foram passando e algumas coisas foram ocorrendo. Eu nunca soube ao certo o que estava se passando, mas, não era algo bom. Boas sobre o fim estavam ecoando. Mediante a tudo isso, e vendo que minha torcida de nada adiantava, criei esperanças. Ainda mais. Fiz planos. Imaginei ocasiões. Momentos alegres em que poderíamos viver juntos. Mas, esse foi um sonho solo.

Federico Devito, por Italo Gaspar

O relógio não para. O tempo não para. A vida não para. Mas, eu parei. Fui posto de lado, era como me sentia. Um pedaço de carne jogado à onça, mas, naquele momento, ela desprezou. Já vivia outra vida, longe da minha. Então, conversamos, discutimos, e posso até dizer que brigamos algumas vezes. Uma turbulência. Coração apertado, mas, sem muito drama. Apenas medo de perder o que eu (achava que) tinha conquistado. Seguindo os conselhos de amigos, resolvi me distanciar. Apesar de achar isso impossível, mas, cheguei a tentar. Não adiantou. Não conseguia. Sentia-me ligado à onça. Para minha surpresa, ela me contou que não queria me ter longe. Pediu-me. Disse que me queria sempre perto. Que precisava de mim. Em outras palavras ditas, era como se eu fosse um “amor” – segundo minha interpretação, que hoje, acho que foi errônea. Mas, como eu poderia estar errado? O que eu era? Como me descrever? Como é o nosso relacionamento? Então, a ficha caiu. Agora eu entendi. Apesar da onça negar, depois de um tempo, chegou a concordar comigo que não havia outra palavra para descrever. Então, eu fiquei sabendo que eu era um “amor”, outro “amor”. Eu nunca me imaginei nessa situação. Conversamos algumas vezes sobre isso. Porém, toda essa preocupação foi à toa. Depois, disse que precisava ficar só. Necessitava de um tempo só seu. Tempos depois, tivemos uma nova conversa, e eu questionei o que eu era afinal. Como eu era visto por ela. E a resposta foi reta: eu era visto como ‘amigo’. Alegou que não poderia ter algo comigo. Seria algo injusto. Iria me machucar. Em um ato de coragem momentâneo – digo coragem, porque a resposta, já sabia, iria me ferir como (ou mais) que uma faca enterrada em meu peito -, eu questionei se ele queria apenas “me comer”. E, para minha surpresa, a resposta foi “sim”. Então tudo ficou claro. Meus amigos tinham razão. As feridas agora estavam em minha pele. Queimava. As lágrimas que eu derramei, ardiam enquanto rolavam por meu rosto. Doía. Mas, não segurei. Deixei rolar.

Eu não sou inocente. Não sou tão idiota assim. Estou e sou ligeiro. Todavia, eu nunca imaginei que alguém teria a coragem de me dizer: “Quero apenas transar com você”. Eu perdi meu chão. Queria ir embora. Fugir. Sumir. O pedaço de carne, agora, tinha certeza que seria apenas degustado e depois jogado fora. Largado. Como um rato jogado à cobra, mas, que essa ainda vai brincar muito ante de matar. Nem precisava muito. Ela já havia me matado. Doía. A cada batida do meu coração. A cada minuto. Senti-me sufocado. Como se mãos agarrassem meu pescoço e apertasse forte. Acho que não estava preparado para uma resposta tão franca e direta. Agora, as lágrimas não rolavam. Não havia mais lágrimas para rolarem. Já havia chorado tudo que podia. É uma sensação horrível. Como se você não prestasse para mais nada além de satisfazer um desejo carnal. Ignorando meus sentimentos, pensamentos… Ignorando a mim por completo. Ignorando o que eu sou e o que eu vivi. Ignorando-me.

Meus olhos viam coisas que não deveriam. Mensagens, conversas, papos – a meu ver, estranhos. Mas, que para o felino era normal. É o seu modo. Seu jeito de se comportar mediante a algumas atitudes. Eu nunca concordei. Cheguei a brigar por isso. Mas, me sentia abatido demais para levar uma discussão naquele momento. Aliás, relembrar tudo isso agora, neste momento, é difícil pra mim. Tanto que eu comecei esse post às 11h37min, são 14h13min e eu ainda não terminei. São lembranças que me machucam demais. Hoje, me sinto “demais”: Chateado demais. Destruído demais. Confuso demais. Cansado demais. E eu já não queria me sentir assim. Fui apenas um acessório, como se não significasse nada para o felino. Suas garras hoje não me acariciam mais, pelo contrário, ferem-me de uma maneira única. E essas marcas, insistem em não de cicatrizar…

Amigos preocupados, familiares aflitos, enquanto eu me afundava em meus pensamentos, traumas e medos. Abruptamente, senti uma mão me puxar. Era forte. Cheia de esperanças, com uma nova visão. Novo fôlego. Um amigo que conheci há pouco tempo, e que me trouxe uma nova perspectiva. Tenta me fazer ver um novo horizonte, que infelizmente, agora, estou impossibilitado de ver. Embora, tento seguir seus conselhos, ainda sentindo-me “demais”. Enquanto o outro está em casa, e nem lembra de mim…

Simplesmente aconteceu
Não tem mais você e eu
No jardim dos sonhos
No primeiro raio de luar

Simplesmente amanheceu
Tudo volta a ser só eu
Nos espelhos
Nas paredes de qualquer lugar

Não tem segredo
Não tenha medo de querer voltar
A culpa é minha
Eu tenho vício de me machucar
De me machucar

Lentamente aconteceu
Seu olhar largou do meu
Sem destino
Sem caminho certo pra voltar

Não tem segredo
Não tenha medo de querer voltar
A culpa é minha
Eu tenho vício de me machucar
De me machucar

Ninguém ama porque quer
O amor nos escolheu você e eu

Não tem segredo
Não tenha medo de querer voltar
A culpa é minha
Eu tenho vício de me machucar
De me machucar

Simplesmente aconteceu
Quem ganhou e quem perdeu
Não importa agora

He never made me feel like I was special

Quero pedir perdão aos meus leitores, pois, eu não consigo ainda descrever muitas coisas. Ainda dói dentro de mim.

Vivimi: Parte 2 – Claridade (A Rosa)

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , , , , em dezembro 17, 2011 por Deivson Prescovia

Estava ali. Parada. Linda e só. Só, e ao mesmo tempo acompanhada. Era belíssima. Suas formas eram perfeitas. E eu distante, olhando para ela, e ela me ignorando. E a cada momento eu olhava mais, até perceber que já estava ali há um bom tempo, até que senti meu corpo se precipitar e ir em direção a ela. Ah! Como era majestosa. Encontrei o caminho e comecei ir até ela. Olhando o caminho, eu vi que estava perto, mas, meus passos, ao invés de ir a seu encontro, pareciam que estava correndo dela. E ela parada. Ali, me ignorando. Desesperado, sai correndo, o caminho ia se estreitando. Doía. A cada momento o caminho ia ficar mais e mais estreito. E ela? Ignorando-me. Agora, já olhava para meus pés, estava correndo, respiração ofegante. Coração a mil. Corria. Mais rápido e mais rápido. E mais rápido. E mais rápido. Até que parei. Senti escorrer da minha pele um líquido. Olhei para mim mesmo. O líquido tinha cor encarnada e escorria de meus braços e pernas. Olhei para mim. E depois para ela. Estava perto. Distante e perto. Mas, percebendo o tamanho da fresta percebi que meu corpo, por ali não passaria. Estendi a minha mão. A dor se projetou em todo o meu braço. E, assim que toquei nela, senti espinhos infiltrarem em meus dedos e na palma de minha mão. Quente. Foi a sensação que senti, junto a dor. Era o mesmo líquido que sentira escorrer pelo meu corpo. Pensei em recuar. Não. Recuar não. Então toquei. Ela não me ignorava mais. Mas, também não me olhava. Senti um desespero invadir todo o meu corpo. Era o medo de feri-la. Superando a todas aquelas sensações, puxei-a pra mim.

Ela veio. Esvaindo-se, devido ao vento, em direção ao meu peito. Pedaços dela se foram junto ao vento. Mesmo assim, eu ainda a tinha pra mim. Era belíssima. Movi e posicionei-me para melhor admirar sua beleza. Neste momento, senti várias pontadas em minhas costas. Como se pequenas facas perfurassem minha pele. Olhando para ela, vi que sua beleza, minuto a minuto, estava murchando. Não era a mesma. Apertando os olhos pelo caminho que havia percorrido, percebi o motivo de tanta dor: espinhos. Ela estava cercada por um imenso jardim de espinhos pontiagudos. Fiquei parado. A dor já era intensa demais e me sentia fraco, devido aos meus ferimentos. Minhas mãos pediam algum refrigério. Segurei ela firme. A dor aumentou. Pensei em soltá-la. Não.

Olhando firme para o caminho que percorrera, decide voltar e imaginar a dor. Comecei a andar. A cada passo sentia minha pele sendo flagelada. Quanto mais rápido, mais dor. Rápido. Dor, e mais dor, e dor e dor. Parei. Ofegante e cambaleante. Já estava mal. Tonto. Sem forças. Só mais um passo. Mais um para o fim da dor. Mais um, para o fim dos ataques. Criei coragem e fui. Neste instante, não havia reparado, mas, um espinho cortar do lado direito do meu abdômen, gerando uma ferida insuportável. Pensei em me entregar. Já não podia mais. Era demais pra mim. Arrependimento. Olhei para ela e já estava quase morrendo em minhas mãos e nada eu podia fazer. A culpa era minha. Eu tinha invadido o seu espaço e roubado ela do local original. Senti-me aflito. Com vergonha de mim mesmo por tudo o que eu havia feito. Dei o passo final.

Corri até algum lugar, onde eu pudesse refrigerar ela. Achei. Coloquei-a ali, na água. E não obtive reação. Estava morta. Murcha. Horrível. Já não tinha a mesma beleza antes. Não era mais vermelha, como antes. Estava triste. Não me ignorava mais, porém, também não me olhava. Sofri. As lágrimas rolaram, doce e salgada, percorriam todo o meu rosto, deslizaram pelo meu pescoço e atingiram alguns ferimentos que os espinhos haviam me deixado de lembrança.

Na verdade, hoje eu entendo que não era lembrança, do dia em que eu tentei roubar pra mim a beleza daquela Rosa. Era a punição, por ter invadido e roubá-la a de seu lugar original, ter roubado e invadido seu lugar. Ando, agora, com as feridas, que só o tempo poderá cicatrizar.

Vivimi: Parte 1 – Desabafo

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , , , , em dezembro 6, 2011 por Deivson Prescovia

Nós vivemos em um mundo onde o relógio passa mais depressa que os nossos pensamentos. Do que nossos sentimentos. Não há tempo para nada. Não há tempo para dizer “eu te amo”, para um abraço, para um beijo, para conversar, para desabafar. Não há tempos para se divertir. Hoje estou extremamente triste. Não sei dizer o porque, mas, não me sinto tão feliz como deveria. Eu não trabalho em um local ou em uma função que gostaria, pelo contrário, estou distante disso, muito mesmo. Mas, ultimamente isso tem me afetado demais. Sabe, por que eu tenho que trabalhar em algo que eu não quero. Por que eu tenho medo de me aventurar onde eu quero. Por que me sinto assim?

Eu trabalho em algo que não me satisfaz. Não me deixa feliz. “Trabalho, pois, tenho que trabalhar”. Não sou feliz, mas, não posso me dar ao luxo de não trabalhar. E assim viverei, até quando, eu não sei. Esse post foi iniciado em 18 de outubro, porém, apenas em 1 de novembro de 2011, tomei coragem de acabá-lo. Ele já se chamou “Era”, “Era (Tente outra Vez)” e “Ruas de Outono”. Nem sei mais o assunto principal, mas, precisava tanto dizer algumas coisas e acabei fugindo do tema, que hoje (6 de dezembro) já nem lembro mais. As coisas mudaram um pouco. Eu ainda tenho uma alegria para ir ao trabalho. Encontrar pessoas incríveis. Amigos.

Enfim, tempo atrás eu estava pensando muito sobre a vida, seu detalhes, os problemas. E começei a questionar o porque dessa vida. Claro, eu não sou o único no mundo, mas, por que sofrer? Por que das lágrimas, se temos pouco tempo para viver. Pensei: se todas as lágrimas derramas por você fossem substituidas por sorrisos, abraços, carinhos, atenção, amor. Viveríamos muito melhor!

Me sinto um pedaço de carne que ninguém quer e que está pendurada na vitrine do açougue, tendo o menor valor de todas as demais.

Esse post terá mais algumas partes. Ainda não sei quais. Mas, serão publicadas em breve.

Ti prego
Vivimi senza vergogna
Anche se hai tutto il mondo contro
Lascia l’apparenza e prendi il senso
E ascolta quello che ho qui dentro

Fear

Postado em Uncategorized com as tags , , , , em novembro 2, 2011 por Deivson Prescovia

Em janeiro deste ano, dei inicio ao curso universitário de produção fonográfica na Universidade Anhembi Morumbi. Era o primeiro passo para a realização de um sonho: trabalhar com música. Quando era menor, vivia com um caderno de brochura, capa verde, e com uma caixa de lápis de cor. As folhas, quase todas já preenchidas com desenhos, já revelava a minha paixão pela arte, mas, não tão somente a pintura. A minha mãe, era uma grande fã de Raul Seixas, e possui muitos dos seus álbuns. Enquanto ela arrumava a casa ao som de o “maluco beleza”, eu, sentado no sofá da sala, desenhava “O Trem das 7″ e outros desenhos que me vinha na mente. Ficava horas fazendo aquilo.

No entanto, com o passar o tempo, sem perceber, eu abandonei a prática. Vou confessar que as vezes eu ficava irado. Eu sou meio perfeccionista e as vezes desenhava coisas que, ao meu ver, “não ficavam boas” e eu me irritava muito. Pensando agora, acho que não abandonei, eu a subistitui…

Em 1998, eu olhava pela janela da sala a espera de algo especial. Algo que eu queria muito naquele momento e quem me traria era meu padastro. Cada segundo era uma agonia. Mal podia esperar para ter em minhas mãos. Então, finalmente ele chegou e eu logo o perguntei: “Onde está? Cadê?”. Querendo fazer graça, ele disse que não achou, que não tinha comprado. Eu fechei a cara, fiquei sem expressão. Foi uma decepção para mim. Até hoje, se tem algo que eu odeio é você dizer que dia “x” me dará algo e no dia dizer que esqueceu. Entretanto, na verdade, ele não tinha esquecido e depois de ver minha reação, com os olhos já molhados, ele tirou da jaqueta. Gravado no então Olympia, em São Paulo, o álbum Era Uma Vez, de Sandy & Junior.

Levy Christiano

Eu adorava ouvir aquele álbum. Cantava, dançava e encenava. Curtia muito. Porém, foi quando a trilha sonora da telenovela Laços de Família foi lançada que eu realmente me apaixonei pela música, se é que já poderia me apaixonar mais do que eu já estava apaixonado. Eu nunca pedi o álbum para meus pais. Mesmo naquela idade, sabia que comprar CDs era algo muito caro. Foi então que descobri que uma tia minha, irmã do meu padastro, comprou a trilha sonora da telenovela e eu pedi para o meu padastro a gravar em uma fita cassete. Eu sempre ouvia a faixa 5, “Spanish Guitar”, 6, “Love By Grace”, e 15, “Devolva-me”. A ponto de pegar o controle remoto e cantar para quem quisesse ver.

Então, eu passei a fazer isso sempre. Ouvindo Seixas, Calcanhotto, Braxton, Sandy & Junior, Chiquititas, enfim. O que aparecesse eu cantava. Sempre tive uma grande facilidade para aprender as letras. Basta ouvir uma vez. Elas entram na minha mente e lá ficam em um bauzinho de canções. Com o passar do tempo, outros artistas foram contribuindo para o preenchimento desse. Eu era muito feliz. Me sentia muito feliz.

Eu sempre deixei bem claro do que eu queria: música. Não escondia isso de ninguém. Porém, eu não poderia imaginar, com pouca idade, o que o futuro me reservava. Pessoas invejosas? Bom, talvez não. Simplesmente, pessoa sem sonhos, que não se contentam em ver os outros sonharem e realizarem seus projetos pessoais. Ora, qual a chance de um menino que mora na periferia da megalópole São Paulo ser um artista? – digo isso sem pensar em ser artista reconhecido e com um vasto sucesso comercial, porque isso é um outro ponto.

Eu trabalhava pela manhã, e a noite ia para a universidade. No entanto, uma semanas após o início das aulas eu tranquei o curso. Não tinha como. Primeiro pelo valor do curso, a falta de apoio de meus pais – eu estava pagando um curso de R$ 810,00, tendo um salário líquido por volta de de R$ 490,00.

Acredite, até hoje eu me deparo fazendo o seguinte questionamento: “Você é muito bom em história, geografia, literatura. Poderia ser um professor, um historiador, arqueólogo, geólogo, talvez sociólogo ou filósofo. Até onde levará esse sonho impossível de ser um artista ou trabalhar com música?”. Mesmo assim, eu já me sinto frustrado ao pensar em abandonar a música. Como eu dizia, dentro de mim tinha realmente uma chama para a música. Hoje, estou debaixo de uma chuva, agachado, sendo, por algumas vezes, pisoteado, e tropeçado por algumas pessoas, tentando proteger a chama, que hoje, parece mais uma vela acesa no escuro de meus planos (incertos): Eu quero ser músico, produtor musical, cantor, psicólogo, e trazer uma mensagem e a ação (o que é mais importante) de esperança para o futuro. Mas, olho pra mim hoje e me vejo tão limitado. Bom, isso é questão para outro post que, inclusive, já está em desenvolvimento.

Talvez, esse desabafo tenha ficado de forma irregular. Afinal, eu o iniciei em 18 de outubro, e só o concluir em 1 de novembro. Mas, precisava dizer: eu tenho medo.

Collide (On My Way)

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , , em outubro 2, 2011 por Deivson Prescovia

Como é bom voltar! Como diria Ciara “I’ve been gone for too long Think it’s time I bring it back”. Estou realmente muito, muito, muito feliz por ter conseguido retomar o blog. Vocês entenderão o porquê em breve. Estive longe, pois, em novembro de 2010 eu comecei a trabalhar. Então, estudava de manhã, saia às 12:45 e corria para entrar no trabalho às 15h. Você pode pensar “mas, você ainda tem algumas horas entre a saída do colégio e a entrada no trabalho”. Sim, porém, esse tempo eu levava do colégio (zona sul de São Paulo) ao meu então trabalho (República, centro de São Paulo).

Quando era menor, por volta dos seis anos de idade, o computador era algo inalcançável. Primeiro, porque éramos muito pobres, quer dizer, não necessariamente pobres (palavra que eu odeio), mas, não podíamos nos dar ao luxo de comprar um. Até mesmo porque estávamos para comprar um terreno e construir uma casa, a que resido hoje. Meu tio, irmão de minha mãe, casou-se e morava próximo de nós e, ele, comprou um computador. Então eu, curioso, ia à casa dele para “ver o que era” um computador. O acesso à internet era discado, mas, para mim, naquele momento, a internet era algo irrelevante. O que me interessava era o computado em si. Para mim, aquela máquina quadrada, era um “cérebro”, e não apenas um “cérebro”, mas, um “supercérebro”, onde eu questionava sobre algo e ele respondia. Com o passar do tempo, meu tio disse que não era bem assim. Mas, mesmo assim, eu ainda tinha um enorme fascínio por aquela máquina.

Compramos o terreno, construímos a casa e nos mudamos. Minha tia, irmã da minha mãe, também se casou, e seu marido, também adquiriu um computador. Às vezes passava o final de semana lá, e ele, me incentivava a utilizar o computador. E, pela primeira vez eu entendi o que era a internet. Tudo bem que de uma forma talvez errada, mas, entendi que tínhamos como falar com outras pessoas utilizando a tal ‘net’. Criei um e-mail no provedor Ig – na época em que seu logo ainda era ligado a um West highland white terrier -, mas, não tinha para quem mandar mensagem. Aos poucos fui descobrindo a internet, e entendendo para que ela servia, como utilizar, onde ir, tudo. Em um desses finais de semana, meu tio me mostrou o MSN Messenger, comunicador instantâneo. Criei uma conta no Hotmail, mas, assim como o e-mail que eu já tinha no Ig, eu não tinha com quem falar. Então, ele me mostrou o Bate-papo do provedor UOL.

João Gabriel Vasconcellos

Eu entrava nas salas de assuntos, de idades, enfim, todas. Enchia meu messenger de contatos. Descobri que outros provedores também possuíam salas de bate-papo e fui acessando, sem nenhuma pretensão especial. Com o passar do tempo, aquilo já estava tão batido, que eu perdi o interesse. E fiquei um longo tempo sem acessar as salas de bate-papo. Até mesmo, porque eu não queria dedicar meu tempo à isso. Entretanto, no final do ano passado, eu resolvi acessar novamente. Senti um frenesi. Mas, também não achei nada de inovador e interessante. Até que, na sala de bate-papo do BOL eu conheci um menino interessante.

Encontrar pessoas interessantes na internet não é algo comum, logo tratei de preservar aquele contato. Isso foi no sábado. Conversamos, no domingo, na segunda, na terça e, para minha surpresa e espanto, na quarta-feira, ele disse: “Vamos sair?”. Eu fiquei preocupado. Conhecia o “Jonas” a um bom tempo, já tinha uma certa confiança nele, e nunca havia marcado de me encontrar com ele. Agora, o menino que eu conheci no último sábado já que sair? Não está cedo demais? Eu questionei isso a ele, que me disse: “podemos estar perdendo tempo”. Então, resolvi sair. Marcamos de nos encontrar sexta à noite, na Praça da República, no horário de saída do meu trabalho, 17h.

Dentro do elevador eu olhava para o relógio do meu celular, 17h04, eu já estava atrasado. Achei melhor mandar uma mensagem dizendo que eu já estava indo. Sai do elevador correndo para não me atrasar mais. Afinal, não poderia me dar ao luxo de perder um futuro romance. Agora, descendo as escadas rolantes da estação República o coração já estava batendo rápido, até que eu o vi. Da minha altura, pele branca, olhos castanhos e lábios rosados, que logo se abriram exibindo um belo e tímido sorriso. “Fiz você esperar muito?”, foi a primeira coisa que eu disse ao nos aproximarmos, ele disse que não. Saímos dali, fomos para a praça conversar, depois, caminhamos até a Praça das Flores, no Largo do Arouche, e o tempo passou tão rápido.

Quando me dei conta já era 23h, sendo que eu levaria cerca de 2 horas até em casa, utilizando o transporte público. Disse que precisaria ir, e ele me pediu um beijo. Antes, me abraçou forte. Senti as batidas de o seu coração acelerar, até que os dois corações passaram a bater juntos, os lábios se encostaram e nos beijamos por algum tempo. No caminho de volta para casa, eu só conseguia lembrar e pensar no que havia acontecido. O meu celular vibrou e, nele, uma mensagem dizia: “Eu amei. De verdade. Obrigado por tudo”. Combinamos de nos encontrar mais algumas vezes, até que ele me perguntou se eu gostaria de namorar – não necessariamente com ele, não era um pedido. Eu disse que sim. Ele falou que estava apaixonado por mim, mas, que achava melhor sairmos mais algumas vezes, nos conhecer primeiro, antes de oficializar um relacionamento, já que o namoro para ambos é algo que deve ser levado muito a sério.

Mesmo assim, eu não conseguia ficar com mais ninguém. Eu estava com ele, e não sentia necessidade de ficar com mais ninguém. Ele já me bastava. O mesmo acontecia com ele, pelo que ele me dizia. Então, ficamos em um namoro ‘unofficial‘, já que não houve pedido. No nosso terceiro mês, eu me senti pressionado: namoro, faculdade, trabalho. Eu compartilhei essa pressão com ele, que disse que entenderia, mas, não gostaria de, alguns momentos, não poder contar comigo. Ora, eu moro na zona sul de São Paulo, ele na zona norte. Encontrávamos sempre nos mesmos locais – o que já me irritava demais -, e eu trabalhava das 8h às 15h, e depois ia para a faculdade. Chegava em minha casa por volta das 00h00. Cansado, eu já não entrava na internet, e isso nos distanciou um pouco. Só nos víamos aos sábados e conversávamos apenas pelo telefone. Eu não sei se isso o fez tomar uma decisão que me entristeceu muito no momento, mas, ele achou melhor terminar o que estávamos tendo. Disse que estava sofrendo com aquilo, mas, que estava com medo de me machucar.

Confesso que me senti decepcionado. Não sei dizer se comigo, com ele, ou com a situação em que ele nos colocou. Mas, seguimos a vida. Hoje somos amigos, peço conselhos, dou conselhos, trocamos experiências, conversamos e vibramos com as alegrias do outro. Faz três meses que eu não saio com ninguém. Nove meses que eu não beijo ninguém. Mas, há nove meses eu conheci um amigo que eu posso sempre contar.

Stronger

Postado em Uncategorized com as tags , , , , em dezembro 5, 2010 por Deivson Prescovia

Já ouviu aquela frase: “Quem é vivo…”, por isso estou aqui de novo. Depois de tantos acontecimentos e vontade de contar, mas, preguiça de digitar resolvi tentar escrever tudo o que acontecer nesse tempo que estive ausente do blog. Finalmente, (quase) terminei o ensino médio, apesar de ter ficado de recuperação em Matemática (matéria que eu realmente entendo completamento, sabe?) por um ponto. Agora, vem a preocupação do curso universitário, que tem me assolado muito: que curso? O futuro que ele me proporcionará? A instituição de ensino? Mensalidade ou “gratuidade” (no caso, porque iria prestar a FUVEST).

Por falar em FUVEST, algo muito triste aconteceu comigo. Assim que a fundação abriu inscrições para seu vestibular, eu me inscrevi, apesar de estar meio relutante pelo fato de me achar despreparado e ser a prova que poderia me levar para uma das melhores universidades do mundo, USP. Além disso, meu medo é que eu não estava dando tanta importância para a prova. Não estava me preparando para isso. No dia da prova, fiquei esperando meu tio me levar para o local onde eu fui fazer a prova. O trânsito e o fato de sair-mos de casa fez com que o tempo virasse nosso inimigo (mas, até ai tudo bem. O tempo e eu nunca tivemos um bom relacionamento mesmo). Depois de muito rodar, encontramos a rua do local (Universidade Anhembi Morumbi – Vila Olímpia) e, ao chegarmos lá tive um triste notícia: “Você está dois minutos atrasado e, por isso, você não poderá entrar e realizar a prova”. Imediatamente eu pensei em sair dali, mas, minha tia ainda tentou ver se eu conseguia entrar. Depois de quase ter gritado para ela, eu entrei no carro e, o silêncio se instaurou. Pelo retrovisor, eu percebi que a minha tia estava olhando para o meu rosto, que já se enchera de lágrimas, enquanto eu olhava para fora do carro.

Henzo Hülle

Pensativo, começei a me questionar o porque isso tinha acontecido e, começei a me julgar, argumentando que se eu tivesse me programado melhor isso não teria acontecido. Não se ouviu nada durante o trajeto de volta para casa. Quando cheguei, fui direto para o meu quarto. Meus avós estranharam a minha presença, com razão, afinal, deveria estar realizando a prova naquele momento, mas, eu não respondi nada e corri para o quarto sem falar com ninguém. No quarto, deitei na cama e começei a chorar. Não havia mais o que fazer, apesar lamentar o leite que já estava derramado e, no meu caso, azedado. Minha tia veio atrás de mim, e em todos os cantos da casa era possível ouvir o som do soluço do meu choro. Apesar do conforto dos meus familiares, eu só fui me “recuperar” no dia seguinte. Apesar de um certo momento eu ter “desprezado” a FUVEST, eu não queria que isso tivesse ocorrido. Todos da minha família estavam acreditando em mim e na minha capacidade. Entretanto, sem estudar não ficarei, ano que vem cursarei “Produção musical” na Universidade Anhembi Morumbi.

Scared of Lonely

Postado em Uncategorized com as tags , , , , em outubro 26, 2010 por Deivson Prescovia

Eu sempre me considerei e, sou considerado por alguns, uma pessoa forte. Eu sempre disse que eu não me importava com as coisas ruins ou aquelas que eu não compreendo e, ainda, estufava o peito dizendo que as feridas e dores me fariam forte no futuro. Eu sempre acreditei nisso e, mais do que isso, eu sempre me senti assim. Talves seja apenas fruto de uma imaginação fértil, ou, pela necessidade de se sentir bem. Olhar para o futuro, quando se está em uma situação onde você não consegue “ver”, pensar e, às vezes até, sentir nada é um bom escape, um refúgio. E, é nessas condições que eu sempre levei a minha vida, seja nas questões amorosas, profissionais, familiares, enfim, em tudo.

Escravo de uma mente fértil, é assim que eu me sinto diante de tantos pensamentos que me tomam durante todo o dia. Mesmo não querendo pensar, mesmo me negando a imaginar uma situação, ela, vira e meche, volta e se mostra. O pior é que eu posso fazer o que for, ouvir música, cantar, assistir um filme, um vídeo, praticar esporte, conversar, estar com a família, enfim, o que for, se o pensamento a imaginação tiver que brotar, ou melhor, quiser se mostrar eu sou “obrigado” a “ver”. Escrevendo isso, imagino que você possa estar falando: “Ele é louco? Isso é extremamente normal” ou “Nossa, que estranho e confuso”. Mas, acredito que essa é a forma mais clara de externar o que se passa na minha cabeça.

No entanto, algo, em especial, tem me angustiado e, até tirado o meu sono ultimamente – senti isso forte em 16 de Outubro às 3:00 da madrugada. Eu simplesmente não conseguia dormir. Me sentia cansado, exausto, queria dormir e descansar para realizar algumas atividades quando acordar, mas, eu não conseguia dormir. Como eu já disse, a minha mente é muito fértil e, ela não para de pensar e imaginar possibilidades, situções e possíveis atitudes que eu poderia ter tomado em determinadas situações. O que tanto me atormenta é o medo do futuro, o medo do amanhã, principalmente em relação à meu curso universitário.

Eu amo o mercado fonográfico, apesar de não ter nenhum “padrinho”, estou querendo me arriscar. Testes vocacionais sempre me direcionam para área artísticas e, já fui vocal de apoio da banda de meu tio e enfim. Vou cursar produção fonográfica, mas, realmente estou com muito medo do amanhã. Medo de não conseguir trabalhar na área que eu mais amo. Afinal, “São Paulo é a cidade onde os sonhos são realizados” e, outros são destruídos. Mas, espero que eu não seja parte do grupo que representa a segunda parte da frase anterior. Recentemente, tenho lutado para que o meu medo não me impessa de tentar. Mas, já tenho visões realistas sobre o futuro. Se até o segundo semestre do curso eu não estiver na área, então, acredito que seja melhor trancar a faculdade e, partir para uma segunda área.

Amado

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , , , em outubro 2, 2010 por Deivson Prescovia

O motivo da minha ausência é totalmente explicável: vestibular. Em 26 de Setembro, eu realizei o primeiro vestibular da minha vida e, fui aprovado. Como eu tive que estudar e revisar muitos conteúdos, permaneci ausente por um bom tempo da blogsfera e, ainda talvez permanece por algum tempo assim.

Esse tempo tem sido difícil para mim. Pouco antes (ou depois, juro que não me recordo ao certo), de ter postado “It’s Time To Be Brave”, eu conversei com Jonas e disse à ele que eu o amava muito, sem pedir nada para ele, eu apenas disse, depois dele ter me contado que tinha ficado com algumas meninas (ele é bissexual). Depois de muitas disculpas e pedidos de perdão, ele me disse que nós seríamos apenas amigos. Sem choro, eu senti meu coração gelado por um segundo e, um sentimento de arrependimento e libertação, simultâneamente, me envadiu.

É… Eu eu não chorei. Pensando agora, me sinto tão frio, gelado e, até mesmo, insensível. Mas, pensando bem, não adiantaria ter chorado. Isso não significa que eu fiquei triste, pelo contrário. Me senti destruído (coisa que sinto até hoje). Mas, segui em frente. Dia-a-dia, tenho em mente que eu não “posso pensar nele” e que ele é apenas um amigo e, “um amor do passado”.

Canções como “Never Ever”, de Ciara, e “Aqui”, de Ana Carolina, passaram a ter um sentido mais significativo na minha vida. Ora, eu tenho que esquecê-lo, mas, como fazer isso? Eu chego pensando nele. Eu sento a frente no computador e é nele que eu penso: visito perfil em redes sociais e “fiscalizo” seu twitter. Recentemente, recebi um mensagem dele pelo microblogging, twitter, pedindo para que eu entrasse no comunicador instantâneo e conversasse com ele.

Você, leitor, já pode imaginar o que ocorreu, né? Sim, claro que eu entrei. Mas, não é isso a que me refiro. Iludido na minha própria dor (melodramático esse momento), eu imaginei que ele me diria que estava confuso e que gosta de mim (eu realmente acreditei nisso). Ele veio falar comigo e disse que estaria viajando em breve, ele irá para a Flórida, nos Estados Unidos, com seu padastro – nada sério, ele só irá para trazer algumas máquinas (algo assim).

Eu sempre ouvi aquele ditado que “mente vazia é a oficina do diabo” e, naquele momento eu tive a impressão que a minha mente estava oca. Parecia que eu ouvia alguém falando: “E se ele arranjar alguém lá?”. Mas, isso eu relevei, o que me deixou intrigado e, hoje, ao escrever esse post eu tive a compreensão, é que ele disse que eu tinha o direito de saber. Conversando com algumas amigos, eu expus isso e eles me disseram que acham estranho ele dizer que eu tinha o “direito de saber”. Contudo, hoje eu sei, nada mais do que consideração, afinal, ele sempre me diz que eu sou seu melhor amigo.

O tempo passou, e, o vestibular e a universidade me deu um novo fôlego, pois, agora eu só pensava nos dois, porém, agora que eu já estou matriculado na universidade e, que tudo foi resolvido, eu estou com a cabeça livre e, acho que o diabo voltou a trabalhar.

Eu preciso confessar uma coisa: Eu me sinto triste quando imagino ele com outra pessoa. Quando imagino que ele está, por exemplo, se relacionando sexualmente com outra pessoa. É um sentimento estranho, mas, eu penso. Fico triste. Talves, sentimento e traição (eu sei, eu não deveria sentir isso, mas, eu não fui educado emocionalmente). Estou sentido isso nesse momento, pois, desde ontem ele “não dá as caras” na internet e, apesar disso não significar nada, eu sinto mais seguro quando vejo ele online. Sinto que eu tenho uma pista de onde ele está.

Eu sei que isso que eu faço é deprimente. Mas, eu não sei… Não sei nem o que argumentar. É tão difícil parar de fazer isso. Quando eu vejo já fiz e falo a mim mesmo: “Você não deveria  fazer isso. Deveria seguir em frente”. Tenho medo de beijar outros lábios pensando nos lábios dele. Me sinto perdido. Será esse o sentimento da perda?

Em um comentário no último post, Andrea, disse que “o perfume da rosa que te feriu, ainda está em suas mãos” e, eu acredito nisso. Eu precisava do ponto final que ocorreu, mas, mesmo assim a minha cabeça ainda insiste em pensar nele, meu coração ainda pensa em amá-lo, minhas mãos ainda querem abraça-lo, meus lábios ainda quer tocá-lo. Como diz Vanessa da Mata: “como pode ser gostar de alguém e, esse tal alguém, não ser seu?” e ainda “peço tanto a Deus, para lhe esquecer, mas, só de pedir, eu me lembro”. Estou confuso, nem sei mais o que escrever aqui. Talvez esteja repetindo a mesma história, mas, acho que eu preciso disso.

Quinta-feira, 30 de Setembro, fui à universidade realizar a minha matrícula e, depois de ter discutido com a minha mãe, resolvi ir sozinho – de transporte público. No metrô, observei um menino que era muito semelhante à Jonas. Pronto, eu não consegui para de olhar para o menino, que já havia percebido, mas,  para minha sorte, não se importou. Estou pensando seriamente em ir à um psicólogo. Essa é a vida, altas e baixos, risos e lágrimas, alegria e tristeza, tudo tão Ying e Yang.

Recentemente, Da Mata disponibilizou uma nova canção que, se pudermos uni-la com “Amado” será perfeito. Pois, na primeira, temos uma pessoa em uma situação semelhante a minha enquanto na segunda, “O Tal Casal”, ela declara: “Gostei de ser de quem me gosta… Eu aprendi”. É, parece que eu ainda não aprendi, porém, com calma e paciência, dores e alegria, vou seguindo em frente…

Lendo o blog de Kiko Riaze, me deparei com o post “Amar Pra Quê?“, onde ele me fez lembrar os ensinamentos budistas (pelo qual eu sou apaixonado, mas, pouco praticante – infelizmente): Segundo Buda, os seres humanos sofrem porque se apegam demais aos seus desejos. Na verdade, estou pensando seriamente em ir para um mosteiro (vihara) e ficar um bom tempo lá…

It’s Time To Be Brave

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , , em setembro 5, 2010 por Deivson Prescovia

Se esse post fosse uma canção ela seria “É o Amor Outra Vez”, de Maria Bethânia – pelo menos o começo. Em posts passados eu disse que iria me afasta de Jonas e, mesmo depois de tudo o que aconteceu eu continuei me afastando, para não me ferir.

É como se você visse sua flor favorita ao longe, através de um caminho estreito e, sem olhar para os lados, você se atirasse nesse caminho. Correndo e corrento, feliz, esperando chegar o mais rápido possível para pegar aquela flor. Mas, aos poucos sente algumas dores em diveras partes do seu corpo. Então, você para, respira, ainda ofegante, e com olhos fixos na flor ao longe, você percebe que ao lado estão belíssimas rosas com espinhos afiados que perfuraram a parte mais importante, seu coração.

Caio César para Felipe Lessa, do The Boy

Mesmo assim, confiente, tendo um resto de esperança, você ainda arranja forças para seguir em frente, apesar das dores. Aos poucos a dor vai ficando insuportável e, você percebe que aqueles antigos ferimentos que você achava “demais” ou “muitos”, não são nada comparados aos que você tem agora. Exatamente ao meio do caminho, você percebe que a flor não está mais ali. Você olha, procura, chega a se desesperar, cadê?

Respira. Transpira. Pensa. Olha. Chora. E, decide ir em frente. De repente, a flor reaparece, ela tinha apenas “saído para tomar um ar”. Entretanto, você percebe que ela não está mais interessado em seu sorriso. Não é mais desejo dela estar ao seu lado, em um belo jarro de vidro que enfeita a sua mesa, ou em um livro antigo que tem um significado impar para você. Não pode ser! Você se sente, de um certo modo, traído. Afinal, você está sangrando devido aquela flor, que mais de perto, parece que mostrou a sua verdadeira face e já não é tão bela assim como antes.

O sangue já não sai mais como antes, e feridas são formadas aos poucos. Com passos leves e lentos você vai se afastando da flor, que, aos poucos vira as costas para você. Os espinhos que antes feriam quando você passava, estão no cão e ferem seus pés. Não todos, alguns. Você pensa em correr, mas, mesmo depois de ter visto a face obscura da rosa você ainda a deseja.

“Chega!” É o seu pensamentos mais profundo e determinado naquele momento. Vira-se, agora sendo espetado por outros espinhos e, sai do campo florido com algumas marcas que, provavelmente, não esquecerá tão cedo, quem sabe, nunca esquecerá. Aliás, esse é o seu pensamento: “Nunca mais faço isso”. Mas, percebe que essa foi a frase, que anteriormente, você disse à si mesmo? E olha onde você foi parar!

Depois desse texto, considerado por alguns “melodramático“, eu acho que dou o ponto final na história com Jonas. E é tudo. Agora, é esperar vir o novo dia! Em “No Happily Ever After: 2° Parte”, eu comentei que estava pensando em escrever um livro, mas, inicialmente, esse livro contaria algo relacionado à minha vida, a tudo o que eu passei, mas, acho muito triste e até mesmo meio egocêntrico. Por isso, estou pensando em escrever um romance. Vamos ver no que vai dar (mal tomo conta do blog, imagina de um livro – Mas, aos poucos eu creio que consigo).

PS: Obrigado por todo o apoio que vocês me deram na última postagem. Suas palavras me encorajaram para seguir em frente.

No Happily Ever After: 2° Parte

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , , , , , em agosto 19, 2010 por Deivson Prescovia

Agosto é um mês que eu gosto muito. E, não simplesmente pelo fato ser meu aniversário (19), mas, por ser simplesmente “Agosto”. É um mês em que eu paro para analisar a minha vida. Mês em que eu tenho/sofro vários frenesis. É bom e, ao mesmo tempo, é ruim. Mas, antes de entrarmos em agosto e, depois de um mês inteiro encubado em casa, eu saí com duas amigas minhas, a Nathalia e a Vanessa. Fomos à uma balada. Foi incrível, nada do que eu esperava ou desejava, mas, me distraiu, me fez olhar o mundo e, ser notado por ele.

Olha, chega! Vou para de reclamar, de sofrer um pouco, ou de fazer uma “Heloísa” da vida (pelo menos por um mês). Não vou mentir e dizer que durante alguns dias do mês passado e, principalmente, da última semana de férias eu me senti triste, mas, rapidamente me ‘restabeleci’. Como já disse, eu sai para uma balada, em 31 de Julho, e foi incrível, e foi uma oportunidade que eu tive para tentar esquecer por algum momento o Jonas.

As voltas as aulas foi algo que também me puxou do mundo de alienação, que eu vivi em Julho, para a realidade. Eu sempre soube que fui alvo de comentários e piadas maldosas em relação a minha sexualidade, mas, eu não sabia que isso poderia ganhar proporções ainda maiores, depois de uma simples confusão de uma professora.

Na terça-feira, dia 3 de agosto, estava na aula de física – matéria que eu odeio -, e de repente uma colega que senta atrás de mim, pôs a mão sobre meu ombro e eu me virei por um momento para ver o que ocorria, enquanto isso, a professora estava escrevendo e explicando algo no quadro negro. E, por um minuto eu me dispus a ouvir o que a minha colega queria me dizer e, enquanto ela me contava sobre algo – que, por sinal, eu nem lembro agora -, a professora se virou e disse: “Márcio! Presta atenção”.

Naquele momento, eu vi a sala em silêncio por um segundo, até que as gargalhadas, buxixos e comentários surgiram aos poucos. Eu me virei para a professora e, ela estava a risadas, enquanto eu olhava seriamente para ela. E, então eu disse: “Márcio? Quem é Márcio?”, ela me respondeu que tinha se confundido, por que nós éramos “parecidos”. Todos da sala riram – menos meus reais amigos -, mas, até a menina que tinha me chamado atenção estava rindo da minha cara. Inicialmente, eu não vi problemas, no engano, até por que, eu nem me lembrava e nem suspeitava quem era esse tal Márcio, com quem ela me confundiu.

Foi então, que eu lembrei que esse tal Márcio, é um menino do segundo ano do ensino secundarista, que tem trejeitos efeminados e, sofre contantes comentários preconceituosos e maldosos referente a isso. Eu já sofri com esse tipo de preconceito e, inclusive relatei aqui e, naquele momento sofria com uma dúvida: Se tudo iria voltar ou se isso iria morrer por ali.

Ouvindo os comentários, gargalhadas – que vinham até da professora -, eu me virei, sentei normalmente, e começei a olhar seriamente para a professora. Percebendo isso e, ainda sorrindo, ela me pediu desculpas, disse que ela se confundiu e eu disse: “Tudo bem. Eu não disse nada!”. Mas, dentro de mim, já surgia a agonia e o desespero. Eu me sento muito longe da porta, mas, minha vontade era de ir embora e nunca mais voltar ali. Pronto, naquele momento eu tive uma espécie de “déjà vu“, me senti no oitavo ano, novamente, quando eu fui perseguido, insultado e humilhado. Me vi na escola pública, cercado de pessoas que olhavam para mim e tiravam sarro da minha cara. No final da aula, a professora me pediu desculpas mais uma vez, eu não respondi e fui embora. Dias depois, eu percebi que a zoação não iria cessar, então, começei a ter as mesmas atitudes que tive no oitavo ano, me trancar, sair de perto, fugir, não sorrir, sempre fechar a cara e tentar ser o mais imperceptível possível.

Ontem, 18 de Agosto, estávamos na sala de aula com a diretora da escola, e a coordenado pedagógica e educacional que estavam comentando sobre a formatura – que por sinal eu não foi fazer.  Então, ela perguntou “quem, de nenhuma maneira, vai fazer a formatura?” e, eu fui o primeiro a levantar a mão. Imediatamente, eu vi alguns comentários surgir e, tive a impressão de ter escutado os tais comentários, mas, como eu não tenho certeza do que eu ouvi, prefiro não postar aqui. Mas, logo pensei “se eu consegui ouvir, é óbvio e até racional que a diretora tenha escutado esse comentário”, mesmo porque, os comentários não foram o pior, o que mais me entristeceu naquele momento foi as risadas descaradas que surgiram em seguida e os olhares indiscretos em direção a mim. Me senti perdido. Se eles não sentem intimidados com a presença da direção, então, onde eu posso conseguir ajuda?

Me sinto perdido. Não quero voltar para aquele lugar, não mesmo. Hoje tive a desculpa de ser meu aniversário e faltar, mas, amanhã eu vou ter que desculpa? E segundo? E todos os demais dias? Vou viver novamente trancado na minha casa, local que eu acho mais seguro. Eu ainda não sei o que fazer. Sei que eu não posso viver dessa maneira, me escondendo, mas, não vou me arriscar novamente, passar toda a humilhação, dor e sofrimento que passei na escola pública. Afinal, estou em uma instituição particular, por que eu sofri muito em organizações públicas.

Ultimamente, tenho pensado sério em escrever um livro. Aliás, isso não é uma ideia nova. Desde 2006, eu tenho essa vontade de escrever um livro contando tudo o que eu vivi, tudo o que passei e, até pegar relatos de outras pessoas que sofreram humilhações e agressões físicas e psicológicas. Hoje, deveria ser um dia em que eu deveria me alegrar, estar feliz, me divertir, não se preocupar, pois, hoje, 19 de Agosto, é meu aniversário. Mas, eu vejo que isso, talvez, não seja possível, uma vez que eu já estou pensando no que fazer amanhã.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.