Collide (On My Way)
Como é bom voltar! Como diria Ciara “I’ve been gone for too long Think it’s time I bring it back”. Estou realmente muito, muito, muito feliz por ter conseguido retomar o blog. Vocês entenderão o porquê em breve. Estive longe, pois, em novembro de 2010 eu comecei a trabalhar. Então, estudava de manhã, saia às 12:45 e corria para entrar no trabalho às 15h. Você pode pensar “mas, você ainda tem algumas horas entre a saída do colégio e a entrada no trabalho”. Sim, porém, esse tempo eu levava do colégio (zona sul de São Paulo) ao meu então trabalho (República, centro de São Paulo).
Quando era menor, por volta dos seis anos de idade, o computador era algo inalcançável. Primeiro, porque éramos muito pobres, quer dizer, não necessariamente pobres (palavra que eu odeio), mas, não podíamos nos dar ao luxo de comprar um. Até mesmo porque estávamos para comprar um terreno e construir uma casa, a que resido hoje. Meu tio, irmão de minha mãe, casou-se e morava próximo de nós e, ele, comprou um computador. Então eu, curioso, ia à casa dele para “ver o que era” um computador. O acesso à internet era discado, mas, para mim, naquele momento, a internet era algo irrelevante. O que me interessava era o computado em si. Para mim, aquela máquina quadrada, era um “cérebro”, e não apenas um “cérebro”, mas, um “supercérebro”, onde eu questionava sobre algo e ele respondia. Com o passar do tempo, meu tio disse que não era bem assim. Mas, mesmo assim, eu ainda tinha um enorme fascínio por aquela máquina.
Compramos o terreno, construímos a casa e nos mudamos. Minha tia, irmã da minha mãe, também se casou, e seu marido, também adquiriu um computador. Às vezes passava o final de semana lá, e ele, me incentivava a utilizar o computador. E, pela primeira vez eu entendi o que era a internet. Tudo bem que de uma forma talvez errada, mas, entendi que tínhamos como falar com outras pessoas utilizando a tal ‘net’. Criei um e-mail no provedor Ig – na época em que seu logo ainda era ligado a um West highland white terrier -, mas, não tinha para quem mandar mensagem. Aos poucos fui descobrindo a internet, e entendendo para que ela servia, como utilizar, onde ir, tudo. Em um desses finais de semana, meu tio me mostrou o MSN Messenger, comunicador instantâneo. Criei uma conta no Hotmail, mas, assim como o e-mail que eu já tinha no Ig, eu não tinha com quem falar. Então, ele me mostrou o Bate-papo do provedor UOL.
Eu entrava nas salas de assuntos, de idades, enfim, todas. Enchia meu messenger de contatos. Descobri que outros provedores também possuíam salas de bate-papo e fui acessando, sem nenhuma pretensão especial. Com o passar do tempo, aquilo já estava tão batido, que eu perdi o interesse. E fiquei um longo tempo sem acessar as salas de bate-papo. Até mesmo, porque eu não queria dedicar meu tempo à isso. Entretanto, no final do ano passado, eu resolvi acessar novamente. Senti um frenesi. Mas, também não achei nada de inovador e interessante. Até que, na sala de bate-papo do BOL eu conheci um menino interessante.
Encontrar pessoas interessantes na internet não é algo comum, logo tratei de preservar aquele contato. Isso foi no sábado. Conversamos, no domingo, na segunda, na terça e, para minha surpresa e espanto, na quarta-feira, ele disse: “Vamos sair?”. Eu fiquei preocupado. Conhecia o “Jonas” a um bom tempo, já tinha uma certa confiança nele, e nunca havia marcado de me encontrar com ele. Agora, o menino que eu conheci no último sábado já que sair? Não está cedo demais? Eu questionei isso a ele, que me disse: “podemos estar perdendo tempo”. Então, resolvi sair. Marcamos de nos encontrar sexta à noite, na Praça da República, no horário de saída do meu trabalho, 17h.
Dentro do elevador eu olhava para o relógio do meu celular, 17h04, eu já estava atrasado. Achei melhor mandar uma mensagem dizendo que eu já estava indo. Sai do elevador correndo para não me atrasar mais. Afinal, não poderia me dar ao luxo de perder um futuro romance. Agora, descendo as escadas rolantes da estação República o coração já estava batendo rápido, até que eu o vi. Da minha altura, pele branca, olhos castanhos e lábios rosados, que logo se abriram exibindo um belo e tímido sorriso. “Fiz você esperar muito?”, foi a primeira coisa que eu disse ao nos aproximarmos, ele disse que não. Saímos dali, fomos para a praça conversar, depois, caminhamos até a Praça das Flores, no Largo do Arouche, e o tempo passou tão rápido.
Quando me dei conta já era 23h, sendo que eu levaria cerca de 2 horas até em casa, utilizando o transporte público. Disse que precisaria ir, e ele me pediu um beijo. Antes, me abraçou forte. Senti as batidas de o seu coração acelerar, até que os dois corações passaram a bater juntos, os lábios se encostaram e nos beijamos por algum tempo. No caminho de volta para casa, eu só conseguia lembrar e pensar no que havia acontecido. O meu celular vibrou e, nele, uma mensagem dizia: “Eu amei. De verdade. Obrigado por tudo”. Combinamos de nos encontrar mais algumas vezes, até que ele me perguntou se eu gostaria de namorar – não necessariamente com ele, não era um pedido. Eu disse que sim. Ele falou que estava apaixonado por mim, mas, que achava melhor sairmos mais algumas vezes, nos conhecer primeiro, antes de oficializar um relacionamento, já que o namoro para ambos é algo que deve ser levado muito a sério.
Mesmo assim, eu não conseguia ficar com mais ninguém. Eu estava com ele, e não sentia necessidade de ficar com mais ninguém. Ele já me bastava. O mesmo acontecia com ele, pelo que ele me dizia. Então, ficamos em um namoro ‘unofficial‘, já que não houve pedido. No nosso terceiro mês, eu me senti pressionado: namoro, faculdade, trabalho. Eu compartilhei essa pressão com ele, que disse que entenderia, mas, não gostaria de, alguns momentos, não poder contar comigo. Ora, eu moro na zona sul de São Paulo, ele na zona norte. Encontrávamos sempre nos mesmos locais – o que já me irritava demais -, e eu trabalhava das 8h às 15h, e depois ia para a faculdade. Chegava em minha casa por volta das 00h00. Cansado, eu já não entrava na internet, e isso nos distanciou um pouco. Só nos víamos aos sábados e conversávamos apenas pelo telefone. Eu não sei se isso o fez tomar uma decisão que me entristeceu muito no momento, mas, ele achou melhor terminar o que estávamos tendo. Disse que estava sofrendo com aquilo, mas, que estava com medo de me machucar.
Confesso que me senti decepcionado. Não sei dizer se comigo, com ele, ou com a situação em que ele nos colocou. Mas, seguimos a vida. Hoje somos amigos, peço conselhos, dou conselhos, trocamos experiências, conversamos e vibramos com as alegrias do outro. Faz três meses que eu não saio com ninguém. Nove meses que eu não beijo ninguém. Mas, há nove meses eu conheci um amigo que eu posso sempre contar.

outubro 2, 2011 às 9:18 pm
Bem vindo de volta! Senti falta de seu blog – que bom que tudo esta indo bem com você.
Ollie (que já foi Roque Santeiro)
outubro 2, 2011 às 10:27 pm
Olá!
Obrigado. Muito obrigado mesmo! Eu tive alguns problemas para resgatar o blog, mas, hoje, finalmente consegui! Falarei disso no próximo post. Vejo que algumas coisas mudaram bastante… ^^
Abraços