Arquivo de dezembro, 2011

A Onça (Simplesmente Aconteceu)

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , em dezembro 29, 2011 por Deivson Prescovia

Não era nada demais. Não havia motivos a que a fizesse destacar entre as demais. Não a primeira vista. Sua beleza, a princípio, não me chamou atenção alguma. Mas, até que era de se destacar, devido ao modo de andar, falar e agir, até mesmo seu olhar, era único. Principalmente os olhares que vinham em minha direção. No entanto, isso não é o suficiente para despertar algo em mim, a princípio. No decorrer do tempo, fomos criando laços de amizade. Frágeis, pois, não me transmitia muita confiança. Percebi, com o tempo, que nós tínhamos algumas coisas em comum, e muitas coisas incomuns. Pensamentos e visões que seguiam na mesma direção. Algumas opiniões que são totalmente opostas, principalmente o modo de lidar com as pessoas.

Criamos afinidades e passamos a trocar e-mails, mensagens, entre outros. A partir dai consolidamos a nossa relação. O problema é que as nossas conversas começaram a tomar um rumo muito quente. A ponto de eu ter atitudes que eu não teria coragem, em outro momento. Mesmo assim, havia ainda um problema maior. E eu sabia bem qual era esse problema. Por conta disso, eu não poderia se quer me aproximar do felino daquela maneira. Sabia que eu não deveria fazer isso. Mas, era tão mágico. Era um momento só nosso. Era gostoso. Fazia-me feliz, como a muito tempo não me sentia. Sufocado por essa situação, resolvi contar o que estava se passando para amigos. Alguns viram isso como uma coisa boa, enquanto outros não. A maioria me aconselhou a “fugir”. Ir para longe. Não faça isso, pois você sairá machucado dessa história, diziam. Mas, meu coração dizia totalmente o contrário. Não tinha como me machucar. Ela gosta tanto de mim. Seus olhares, seu toque, suas palavras. Eu não via como uma criatura tão doce poderia me ferir. Eu deveria ter ouvido os conselhos, apesar de tudo.

Ignorando o óbvio, decidi caminhar na direção que meu coração me guiava. Ascolta il tuo cuore! Fai quel che dice anche se fa soffrire, é a frase que passava em minha mente e soava em meus ouvidos. Eu não enxergava o que os meus amigos viam. Não era como eles diziam. E ainda por cima, havia a culpa pesando sobre meus ombros. Os amigos preocupados. Coração apertado. Pensamentos a mil, tentando desvendar o futuro. Medindo, antemão, as alegrias e tristezas que eu poderia viver com essa história. E claro, que neste momento, o primeiro superava o segundo, a ponto de eu quase nunca ver lágrimas e mágoas. E a onça lá. Seduzindo-me, com sua bela pelagem e seu olhar marcante. Suas garras, em mim, transformava-se em doces carinhos, que me transportavam para outra dimensão. Para um lugar onde eu estava poucas vezes. Seu toque fazia meu coração acelerar. Não via nada de ruim nisso. Sentia-me amado, desejado. E claro, que com as conversas tendo um sentido mais quente, não foi difícil da onça descobrir que eu era virgem. E eu nunca esperei, na verdade, nunca imaginei, nunca passou pela minha cabeça, que o felino estava preocupado com isso. Alguns amigos já haviam me alertado sobre isso, mas, eu não acreditei. Não consegui ver ainda. Em minha visão, a onça não era assim. Meu Deus! Como pude me deixar levar? Sinto-me tão idiota. Eu a coloquei em um pedestal. Não havia lugar melhor, e um cego melhor do que eu para fazê-lo. Felinos, gostam de ser paparicados.

Já era nítido. Estava realmente apaixonado pela onça. Preocupei-me. Quase não dormia pensando em toda essa situação. Eu não poderia me apaixonar. Não. Havia coisas que eu não poderia mudar. Coisas que eu sabia que não iriam mudar – apesar de que, francamente, eu acreditei que mudariam. No fundo. Lá no fundo, quase no chão, eu ainda tinha uma esperança. Mas, eram tantos anos, uma vida. E eu oferecia o que? Quanto tempo? Comparado ao que já havia vivido eu era apenas um risco de lápis, que posteriormente, seria apagado. Até que uma notícia aumentou minhas esperanças. No entanto, isso não me alegrou, pois, eu vi nos olhos do felino a tristeza. A dor, que um dia eu havia sentido. Não sabia explicar. Vi-me em seu olhar. Como posso ficar feliz, sendo que ela estava triste? E, contra meu coração e minha vontade, comecei a torcer para que tudo fosse solucionado da melhor forma possível, apenas para não ver mais aquele olhar em seu lindo rosto. Idiota (Eu). Então, os dias foram passando e algumas coisas foram ocorrendo. Eu nunca soube ao certo o que estava se passando, mas, não era algo bom. Boas sobre o fim estavam ecoando. Mediante a tudo isso, e vendo que minha torcida de nada adiantava, criei esperanças. Ainda mais. Fiz planos. Imaginei ocasiões. Momentos alegres em que poderíamos viver juntos. Mas, esse foi um sonho solo.

Federico Devito, por Italo Gaspar

O relógio não para. O tempo não para. A vida não para. Mas, eu parei. Fui posto de lado, era como me sentia. Um pedaço de carne jogado à onça, mas, naquele momento, ela desprezou. Já vivia outra vida, longe da minha. Então, conversamos, discutimos, e posso até dizer que brigamos algumas vezes. Uma turbulência. Coração apertado, mas, sem muito drama. Apenas medo de perder o que eu (achava que) tinha conquistado. Seguindo os conselhos de amigos, resolvi me distanciar. Apesar de achar isso impossível, mas, cheguei a tentar. Não adiantou. Não conseguia. Sentia-me ligado à onça. Para minha surpresa, ela me contou que não queria me ter longe. Pediu-me. Disse que me queria sempre perto. Que precisava de mim. Em outras palavras ditas, era como se eu fosse um “amor” – segundo minha interpretação, que hoje, acho que foi errônea. Mas, como eu poderia estar errado? O que eu era? Como me descrever? Como é o nosso relacionamento? Então, a ficha caiu. Agora eu entendi. Apesar da onça negar, depois de um tempo, chegou a concordar comigo que não havia outra palavra para descrever. Então, eu fiquei sabendo que eu era um “amor”, outro “amor”. Eu nunca me imaginei nessa situação. Conversamos algumas vezes sobre isso. Porém, toda essa preocupação foi à toa. Depois, disse que precisava ficar só. Necessitava de um tempo só seu. Tempos depois, tivemos uma nova conversa, e eu questionei o que eu era afinal. Como eu era visto por ela. E a resposta foi reta: eu era visto como ‘amigo’. Alegou que não poderia ter algo comigo. Seria algo injusto. Iria me machucar. Em um ato de coragem momentâneo – digo coragem, porque a resposta, já sabia, iria me ferir como (ou mais) que uma faca enterrada em meu peito -, eu questionei se ele queria apenas “me comer”. E, para minha surpresa, a resposta foi “sim”. Então tudo ficou claro. Meus amigos tinham razão. As feridas agora estavam em minha pele. Queimava. As lágrimas que eu derramei, ardiam enquanto rolavam por meu rosto. Doía. Mas, não segurei. Deixei rolar.

Eu não sou inocente. Não sou tão idiota assim. Estou e sou ligeiro. Todavia, eu nunca imaginei que alguém teria a coragem de me dizer: “Quero apenas transar com você”. Eu perdi meu chão. Queria ir embora. Fugir. Sumir. O pedaço de carne, agora, tinha certeza que seria apenas degustado e depois jogado fora. Largado. Como um rato jogado à cobra, mas, que essa ainda vai brincar muito ante de matar. Nem precisava muito. Ela já havia me matado. Doía. A cada batida do meu coração. A cada minuto. Senti-me sufocado. Como se mãos agarrassem meu pescoço e apertasse forte. Acho que não estava preparado para uma resposta tão franca e direta. Agora, as lágrimas não rolavam. Não havia mais lágrimas para rolarem. Já havia chorado tudo que podia. É uma sensação horrível. Como se você não prestasse para mais nada além de satisfazer um desejo carnal. Ignorando meus sentimentos, pensamentos… Ignorando a mim por completo. Ignorando o que eu sou e o que eu vivi. Ignorando-me.

Meus olhos viam coisas que não deveriam. Mensagens, conversas, papos – a meu ver, estranhos. Mas, que para o felino era normal. É o seu modo. Seu jeito de se comportar mediante a algumas atitudes. Eu nunca concordei. Cheguei a brigar por isso. Mas, me sentia abatido demais para levar uma discussão naquele momento. Aliás, relembrar tudo isso agora, neste momento, é difícil pra mim. Tanto que eu comecei esse post às 11h37min, são 14h13min e eu ainda não terminei. São lembranças que me machucam demais. Hoje, me sinto “demais”: Chateado demais. Destruído demais. Confuso demais. Cansado demais. E eu já não queria me sentir assim. Fui apenas um acessório, como se não significasse nada para o felino. Suas garras hoje não me acariciam mais, pelo contrário, ferem-me de uma maneira única. E essas marcas, insistem em não de cicatrizar…

Amigos preocupados, familiares aflitos, enquanto eu me afundava em meus pensamentos, traumas e medos. Abruptamente, senti uma mão me puxar. Era forte. Cheia de esperanças, com uma nova visão. Novo fôlego. Um amigo que conheci há pouco tempo, e que me trouxe uma nova perspectiva. Tenta me fazer ver um novo horizonte, que infelizmente, agora, estou impossibilitado de ver. Embora, tento seguir seus conselhos, ainda sentindo-me “demais”. Enquanto o outro está em casa, e nem lembra de mim…

Simplesmente aconteceu
Não tem mais você e eu
No jardim dos sonhos
No primeiro raio de luar

Simplesmente amanheceu
Tudo volta a ser só eu
Nos espelhos
Nas paredes de qualquer lugar

Não tem segredo
Não tenha medo de querer voltar
A culpa é minha
Eu tenho vício de me machucar
De me machucar

Lentamente aconteceu
Seu olhar largou do meu
Sem destino
Sem caminho certo pra voltar

Não tem segredo
Não tenha medo de querer voltar
A culpa é minha
Eu tenho vício de me machucar
De me machucar

Ninguém ama porque quer
O amor nos escolheu você e eu

Não tem segredo
Não tenha medo de querer voltar
A culpa é minha
Eu tenho vício de me machucar
De me machucar

Simplesmente aconteceu
Quem ganhou e quem perdeu
Não importa agora

He never made me feel like I was special

Quero pedir perdão aos meus leitores, pois, eu não consigo ainda descrever muitas coisas. Ainda dói dentro de mim.

Vivimi: Parte 2 – Claridade (A Rosa)

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , , , , em dezembro 17, 2011 por Deivson Prescovia

Estava ali. Parada. Linda e só. Só, e ao mesmo tempo acompanhada. Era belíssima. Suas formas eram perfeitas. E eu distante, olhando para ela, e ela me ignorando. E a cada momento eu olhava mais, até perceber que já estava ali há um bom tempo, até que senti meu corpo se precipitar e ir em direção a ela. Ah! Como era majestosa. Encontrei o caminho e comecei ir até ela. Olhando o caminho, eu vi que estava perto, mas, meus passos, ao invés de ir a seu encontro, pareciam que estava correndo dela. E ela parada. Ali, me ignorando. Desesperado, sai correndo, o caminho ia se estreitando. Doía. A cada momento o caminho ia ficar mais e mais estreito. E ela? Ignorando-me. Agora, já olhava para meus pés, estava correndo, respiração ofegante. Coração a mil. Corria. Mais rápido e mais rápido. E mais rápido. E mais rápido. Até que parei. Senti escorrer da minha pele um líquido. Olhei para mim mesmo. O líquido tinha cor encarnada e escorria de meus braços e pernas. Olhei para mim. E depois para ela. Estava perto. Distante e perto. Mas, percebendo o tamanho da fresta percebi que meu corpo, por ali não passaria. Estendi a minha mão. A dor se projetou em todo o meu braço. E, assim que toquei nela, senti espinhos infiltrarem em meus dedos e na palma de minha mão. Quente. Foi a sensação que senti, junto a dor. Era o mesmo líquido que sentira escorrer pelo meu corpo. Pensei em recuar. Não. Recuar não. Então toquei. Ela não me ignorava mais. Mas, também não me olhava. Senti um desespero invadir todo o meu corpo. Era o medo de feri-la. Superando a todas aquelas sensações, puxei-a pra mim.

Ela veio. Esvaindo-se, devido ao vento, em direção ao meu peito. Pedaços dela se foram junto ao vento. Mesmo assim, eu ainda a tinha pra mim. Era belíssima. Movi e posicionei-me para melhor admirar sua beleza. Neste momento, senti várias pontadas em minhas costas. Como se pequenas facas perfurassem minha pele. Olhando para ela, vi que sua beleza, minuto a minuto, estava murchando. Não era a mesma. Apertando os olhos pelo caminho que havia percorrido, percebi o motivo de tanta dor: espinhos. Ela estava cercada por um imenso jardim de espinhos pontiagudos. Fiquei parado. A dor já era intensa demais e me sentia fraco, devido aos meus ferimentos. Minhas mãos pediam algum refrigério. Segurei ela firme. A dor aumentou. Pensei em soltá-la. Não.

Olhando firme para o caminho que percorrera, decide voltar e imaginar a dor. Comecei a andar. A cada passo sentia minha pele sendo flagelada. Quanto mais rápido, mais dor. Rápido. Dor, e mais dor, e dor e dor. Parei. Ofegante e cambaleante. Já estava mal. Tonto. Sem forças. Só mais um passo. Mais um para o fim da dor. Mais um, para o fim dos ataques. Criei coragem e fui. Neste instante, não havia reparado, mas, um espinho cortar do lado direito do meu abdômen, gerando uma ferida insuportável. Pensei em me entregar. Já não podia mais. Era demais pra mim. Arrependimento. Olhei para ela e já estava quase morrendo em minhas mãos e nada eu podia fazer. A culpa era minha. Eu tinha invadido o seu espaço e roubado ela do local original. Senti-me aflito. Com vergonha de mim mesmo por tudo o que eu havia feito. Dei o passo final.

Corri até algum lugar, onde eu pudesse refrigerar ela. Achei. Coloquei-a ali, na água. E não obtive reação. Estava morta. Murcha. Horrível. Já não tinha a mesma beleza antes. Não era mais vermelha, como antes. Estava triste. Não me ignorava mais, porém, também não me olhava. Sofri. As lágrimas rolaram, doce e salgada, percorriam todo o meu rosto, deslizaram pelo meu pescoço e atingiram alguns ferimentos que os espinhos haviam me deixado de lembrança.

Na verdade, hoje eu entendo que não era lembrança, do dia em que eu tentei roubar pra mim a beleza daquela Rosa. Era a punição, por ter invadido e roubá-la a de seu lugar original, ter roubado e invadido seu lugar. Ando, agora, com as feridas, que só o tempo poderá cicatrizar.

Vivimi: Parte 1 – Desabafo

Postado em Uncategorized com as tags , , , , , , , , em dezembro 6, 2011 por Deivson Prescovia

Nós vivemos em um mundo onde o relógio passa mais depressa que os nossos pensamentos. Do que nossos sentimentos. Não há tempo para nada. Não há tempo para dizer “eu te amo”, para um abraço, para um beijo, para conversar, para desabafar. Não há tempos para se divertir. Hoje estou extremamente triste. Não sei dizer o porque, mas, não me sinto tão feliz como deveria. Eu não trabalho em um local ou em uma função que gostaria, pelo contrário, estou distante disso, muito mesmo. Mas, ultimamente isso tem me afetado demais. Sabe, por que eu tenho que trabalhar em algo que eu não quero. Por que eu tenho medo de me aventurar onde eu quero. Por que me sinto assim?

Eu trabalho em algo que não me satisfaz. Não me deixa feliz. “Trabalho, pois, tenho que trabalhar”. Não sou feliz, mas, não posso me dar ao luxo de não trabalhar. E assim viverei, até quando, eu não sei. Esse post foi iniciado em 18 de outubro, porém, apenas em 1 de novembro de 2011, tomei coragem de acabá-lo. Ele já se chamou “Era”, “Era (Tente outra Vez)” e “Ruas de Outono”. Nem sei mais o assunto principal, mas, precisava tanto dizer algumas coisas e acabei fugindo do tema, que hoje (6 de dezembro) já nem lembro mais. As coisas mudaram um pouco. Eu ainda tenho uma alegria para ir ao trabalho. Encontrar pessoas incríveis. Amigos.

Enfim, tempo atrás eu estava pensando muito sobre a vida, seu detalhes, os problemas. E começei a questionar o porque dessa vida. Claro, eu não sou o único no mundo, mas, por que sofrer? Por que das lágrimas, se temos pouco tempo para viver. Pensei: se todas as lágrimas derramas por você fossem substituidas por sorrisos, abraços, carinhos, atenção, amor. Viveríamos muito melhor!

Me sinto um pedaço de carne que ninguém quer e que está pendurada na vitrine do açougue, tendo o menor valor de todas as demais.

Esse post terá mais algumas partes. Ainda não sei quais. Mas, serão publicadas em breve.

Ti prego
Vivimi senza vergogna
Anche se hai tutto il mondo contro
Lascia l’apparenza e prendi il senso
E ascolta quello che ho qui dentro

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