Eu sempre me considerei e, sou considerado por alguns, uma pessoa forte. Eu sempre disse que eu não me importava com as coisas ruins ou aquelas que eu não compreendo e, ainda, estufava o peito dizendo que as feridas e dores me fariam forte no futuro. Eu sempre acreditei nisso e, mais do que isso, eu sempre me senti assim. Talves seja apenas fruto de uma imaginação fértil, ou, pela necessidade de se sentir bem. Olhar para o futuro, quando se está em uma situação onde você não consegue “ver”, pensar e, às vezes até, sentir nada é um bom escape, um refúgio. E, é nessas condições que eu sempre levei a minha vida, seja nas questões amorosas, profissionais, familiares, enfim, em tudo.
Escravo de uma mente fértil, é assim que eu me sinto diante de tantos pensamentos que me tomam durante todo o dia. Mesmo não querendo pensar, mesmo me negando a imaginar uma situação, ela, vira e meche, volta e se mostra. O pior é que eu posso fazer o que for, ouvir música, cantar, assistir um filme, um vídeo, praticar esporte, conversar, estar com a família, enfim, o que for, se o pensamento a imaginação tiver que brotar, ou melhor, quiser se mostrar eu sou “obrigado” a “ver”. Escrevendo isso, imagino que você possa estar falando: “Ele é louco? Isso é extremamente normal” ou “Nossa, que estranho e confuso”. Mas, acredito que essa é a forma mais clara de externar o que se passa na minha cabeça.
No entanto, algo, em especial, tem me angustiado e, até tirado o meu sono ultimamente – senti isso forte em 16 de Outubro às 3:00 da madrugada. Eu simplesmente não conseguia dormir. Me sentia cansado, exausto, queria dormir e descansar para realizar algumas atividades quando acordar, mas, eu não conseguia dormir. Como eu já disse, a minha mente é muito fértil e, ela não para de pensar e imaginar possibilidades, situções e possíveis atitudes que eu poderia ter tomado em determinadas situações. O que tanto me atormenta é o medo do futuro, o medo do amanhã, principalmente em relação à meu curso universitário.
Eu amo o mercado fonográfico, apesar de não ter nenhum “padrinho”, estou querendo me arriscar. Testes vocacionais sempre me direcionam para área artísticas e, já fui vocal de apoio da banda de meu tio e enfim. Vou cursar produção fonográfica, mas, realmente estou com muito medo do amanhã. Medo de não conseguir trabalhar na área que eu mais amo. Afinal, “São Paulo é a cidade onde os sonhos são realizados” e, outros são destruídos. Mas, espero que eu não seja parte do grupo que representa a segunda parte da frase anterior. Recentemente, tenho lutado para que o meu medo não me impessa de tentar. Mas, já tenho visões realistas sobre o futuro. Se até o segundo semestre do curso eu não estiver na área, então, acredito que seja melhor trancar a faculdade e, partir para uma segunda área.
O motivo da minha ausência é totalmente explicável: vestibular. Em 26 de Setembro, eu realizei o primeiro vestibular da minha vida e, fui aprovado. Como eu tive que estudar e revisar muitos conteúdos, permaneci ausente por um bom tempo da blogsfera e, ainda talvez permanece por algum tempo assim.
Esse tempo tem sido difícil para mim. Pouco antes (ou depois, juro que não me recordo ao certo), de ter postado “It’s Time To Be Brave”, eu conversei com Jonas e disse à ele que eu o amava muito, sem pedir nada para ele, eu apenas disse, depois dele ter me contado que tinha ficado com algumas meninas (ele é bissexual). Depois de muitas disculpas e pedidos de perdão, ele me disse que nós seríamos apenas amigos. Sem choro, eu senti meu coração gelado por um segundo e, um sentimento de arrependimento e libertação, simultâneamente, me envadiu.
É… Eu eu não chorei. Pensando agora, me sinto tão frio, gelado e, até mesmo, insensível. Mas, pensando bem, não adiantaria ter chorado. Isso não significa que eu fiquei triste, pelo contrário. Me senti destruído (coisa que sinto até hoje). Mas, segui em frente. Dia-a-dia, tenho em mente que eu não “posso pensar nele” e que ele é apenas um amigo e, “um amor do passado”.
Canções como “Never Ever”, de Ciara, e “Aqui”, de Ana Carolina, passaram a ter um sentido mais significativo na minha vida. Ora, eu tenho que esquecê-lo, mas, como fazer isso? Eu chego pensando nele. Eu sento a frente no computador e é nele que eu penso: visito perfil em redes sociais e “fiscalizo” seu twitter. Recentemente, recebi um mensagem dele pelo microblogging, twitter, pedindo para que eu entrasse no comunicador instantâneo e conversasse com ele.
Você, leitor, já pode imaginar o que ocorreu, né? Sim, claro que eu entrei. Mas, não é isso a que me refiro. Iludido na minha própria dor (melodramático esse momento), eu imaginei que ele me diria que estava confuso e que gosta de mim (eu realmente acreditei nisso). Ele veio falar comigo e disse que estaria viajando em breve, ele irá para a Flórida, nos Estados Unidos, com seu padastro – nada sério, ele só irá para trazer algumas máquinas (algo assim).
Eu sempre ouvi aquele ditado que “mente vazia é a oficina do diabo” e, naquele momento eu tive a impressão que a minha mente estava oca. Parecia que eu ouvia alguém falando: “E se ele arranjar alguém lá?”. Mas, isso eu relevei, o que me deixou intrigado e, hoje, ao escrever esse post eu tive a compreensão, é que ele disse que eu tinha o direito de saber. Conversando com algumas amigos, eu expus isso e eles me disseram que acham estranho ele dizer que eu tinha o “direito de saber”. Contudo, hoje eu sei, nada mais do que consideração, afinal, ele sempre me diz que eu sou seu melhor amigo.
O tempo passou, e, o vestibular e a universidade me deu um novo fôlego, pois, agora eu só pensava nos dois, porém, agora que eu já estou matriculado na universidade e, que tudo foi resolvido, eu estou com a cabeça livre e, acho que o diabo voltou a trabalhar.
Eu preciso confessar uma coisa: Eu me sinto triste quando imagino ele com outra pessoa. Quando imagino que ele está, por exemplo, se relacionando sexualmente com outra pessoa. É um sentimento estranho, mas, eu penso. Fico triste. Talves, sentimento e traição (eu sei, eu não deveria sentir isso, mas, eu não fui educado emocionalmente). Estou sentido isso nesse momento, pois, desde ontem ele “não dá as caras” na internet e, apesar disso não significar nada, eu sinto mais seguro quando vejo ele online. Sinto que eu tenho uma pista de onde ele está.
Eu sei que isso que eu faço é deprimente. Mas, eu não sei… Não sei nem o que argumentar. É tão difícil parar de fazer isso. Quando eu vejo já fiz e falo a mim mesmo: “Você não deveria fazer isso. Deveria seguir em frente”. Tenho medo de beijar outros lábios pensando nos lábios dele. Me sinto perdido. Será esse o sentimento da perda?
Em um comentário no último post, Andrea, disse que “o perfume da rosa que te feriu, ainda está em suas mãos” e, eu acredito nisso. Eu precisava do ponto final que ocorreu, mas, mesmo assim a minha cabeça ainda insiste em pensar nele, meu coração ainda pensa em amá-lo, minhas mãos ainda querem abraça-lo, meus lábios ainda quer tocá-lo. Como diz Vanessa da Mata: “como pode ser gostar de alguém e, esse tal alguém, não ser seu?” e ainda “peço tanto a Deus, para lhe esquecer, mas, só de pedir, eu me lembro”. Estou confuso, nem sei mais o que escrever aqui. Talvez esteja repetindo a mesma história, mas, acho que eu preciso disso.
Quinta-feira, 30 de Setembro, fui à universidade realizar a minha matrícula e, depois de ter discutido com a minha mãe, resolvi ir sozinho – de transporte público. No metrô, observei um menino que era muito semelhante à Jonas. Pronto, eu não consegui para de olhar para o menino, que já havia percebido, mas, para minha sorte, não se importou. Estou pensando seriamente em ir à um psicólogo. Essa é a vida, altas e baixos, risos e lágrimas, alegria e tristeza, tudo tão Ying e Yang.
Recentemente, Da Mata disponibilizou uma nova canção que, se pudermos uni-la com “Amado” será perfeito. Pois, na primeira, temos uma pessoa em uma situação semelhante a minha enquanto na segunda, “O Tal Casal”, ela declara: “Gostei de ser de quem me gosta… Eu aprendi”. É, parece que eu ainda não aprendi, porém, com calma e paciência, dores e alegria, vou seguindo em frente…
Lendo o blog de Kiko Riaze, me deparei com o post “Amar Pra Quê?“, onde ele me fez lembrar os ensinamentos budistas (pelo qual eu sou apaixonado, mas, pouco praticante – infelizmente): Segundo Buda, os seres humanos sofrem porque se apegam demais aos seus desejos. Na verdade, estou pensando seriamente em ir para um mosteiro (vihara) e ficar um bom tempo lá…
Se esse post fosse uma canção ela seria “É o Amor Outra Vez”, de Maria Bethânia – pelo menos o começo. Em posts passados eu disse que iria me afasta de Jonas e, mesmo depois de tudo o que aconteceu eu continuei me afastando, para não me ferir.
É como se você visse sua flor favorita ao longe, através de um caminho estreito e, sem olhar para os lados, você se atirasse nesse caminho. Correndo e corrento, feliz, esperando chegar o mais rápido possível para pegar aquela flor. Mas, aos poucos sente algumas dores em diveras partes do seu corpo. Então, você para, respira, ainda ofegante, e com olhos fixos na flor ao longe, você percebe que ao lado estão belíssimas rosas com espinhos afiados que perfuraram a parte mais importante, seu coração.
Mesmo assim, confiente, tendo um resto de esperança, você ainda arranja forças para seguir em frente, apesar das dores. Aos poucos a dor vai ficando insuportável e, você percebe que aqueles antigos ferimentos que você achava “demais” ou “muitos”, não são nada comparados aos que você tem agora. Exatamente ao meio do caminho, você percebe que a flor não está mais ali. Você olha, procura, chega a se desesperar, cadê?
Respira. Transpira. Pensa. Olha. Chora. E, decide ir em frente. De repente, a flor reaparece, ela tinha apenas “saído para tomar um ar”. Entretanto, você percebe que ela não está mais interessado em seu sorriso. Não é mais desejo dela estar ao seu lado, em um belo jarro de vidro que enfeita a sua mesa, ou em um livro antigo que tem um significado impar para você. Não pode ser! Você se sente, de um certo modo, traído. Afinal, você está sangrando devido aquela flor, que mais de perto, parece que mostrou a sua verdadeira face e já não é tão bela assim como antes.
O sangue já não sai mais como antes, e feridas são formadas aos poucos. Com passos leves e lentos você vai se afastando da flor, que, aos poucos vira as costas para você. Os espinhos que antes feriam quando você passava, estão no cão e ferem seus pés. Não todos, alguns. Você pensa em correr, mas, mesmo depois de ter visto a face obscura da rosa você ainda a deseja.
“Chega!” É o seu pensamentos mais profundo e determinado naquele momento. Vira-se, agora sendo espetado por outros espinhos e, sai do campo florido com algumas marcas que, provavelmente, não esquecerá tão cedo, quem sabe, nunca esquecerá. Aliás, esse é o seu pensamento: “Nunca mais faço isso”. Mas, percebe que essa foi a frase, que anteriormente, você disse à si mesmo? E olha onde você foi parar!
Depois desse texto, considerado por alguns “melodramático“, eu acho que dou o ponto final na história com Jonas. E é tudo. Agora, é esperar vir o novo dia! Em “No Happily Ever After: 2° Parte”, eu comentei que estava pensando em escrever um livro, mas, inicialmente, esse livro contaria algo relacionado à minha vida, a tudo o que eu passei, mas, acho muito triste e até mesmo meio egocêntrico. Por isso, estou pensando em escrever um romance. Vamos ver no que vai dar (mal tomo conta do blog, imagina de um livro – Mas, aos poucos eu creio que consigo).
PS: Obrigado por todo o apoio que vocês me deram na última postagem. Suas palavras me encorajaram para seguir em frente.
Agosto é um mês que eu gosto muito. E, não simplesmente pelo fato ser meu aniversário (19), mas, por ser simplesmente “Agosto”. É um mês em que eu paro para analisar a minha vida. Mês em que eu tenho/sofro vários frenesis. É bom e, ao mesmo tempo, é ruim. Mas, antes de entrarmos em agosto e, depois de um mês inteiro encubado em casa, eu saí com duas amigas minhas, a Nathalia e a Vanessa. Fomos à uma balada. Foi incrível, nada do que eu esperava ou desejava, mas, me distraiu, me fez olhar o mundo e, ser notado por ele.
Olha, chega! Vou para de reclamar, de sofrer um pouco, ou de fazer uma “Heloísa” da vida (pelo menos por um mês). Não vou mentir e dizer que durante alguns dias do mês passado e, principalmente, da última semana de férias eu me senti triste, mas, rapidamente me ‘restabeleci’. Como já disse, eu sai para uma balada, em 31 de Julho, e foi incrível, e foi uma oportunidade que eu tive para tentar esquecer por algum momento o Jonas.
As voltas as aulas foi algo que também me puxou do mundo de alienação, que eu vivi em Julho, para a realidade. Eu sempre soube que fui alvo de comentários e piadas maldosas em relação a minha sexualidade, mas, eu não sabia que isso poderia ganhar proporções ainda maiores, depois de uma simples confusão de uma professora.
Na terça-feira, dia 3 de agosto, estava na aula de física – matéria que eu odeio -, e de repente uma colega que senta atrás de mim, pôs a mão sobre meu ombro e eu me virei por um momento para ver o que ocorria, enquanto isso, a professora estava escrevendo e explicando algo no quadro negro. E, por um minuto eu me dispus a ouvir o que a minha colega queria me dizer e, enquanto ela me contava sobre algo – que, por sinal, eu nem lembro agora -, a professora se virou e disse: “Márcio! Presta atenção”.
Naquele momento, eu vi a sala em silêncio por um segundo, até que as gargalhadas, buxixos e comentários surgiram aos poucos. Eu me virei para a professora e, ela estava a risadas, enquanto eu olhava seriamente para ela. E, então eu disse: “Márcio? Quem é Márcio?”, ela me respondeu que tinha se confundido, por que nós éramos “parecidos”. Todos da sala riram – menos meus reais amigos -, mas, até a menina que tinha me chamado atenção estava rindo da minha cara. Inicialmente, eu não vi problemas, no engano, até por que, eu nem me lembrava e nem suspeitava quem era esse tal Márcio, com quem ela me confundiu.
Foi então, que eu lembrei que esse tal Márcio, é um menino do segundo ano do ensino secundarista, que tem trejeitos efeminados e, sofre contantes comentários preconceituosos e maldosos referente a isso. Eu já sofri com esse tipo de preconceito e, inclusive relatei aqui e, naquele momento sofria com uma dúvida: Se tudo iria voltar ou se isso iria morrer por ali.
Ouvindo os comentários, gargalhadas – que vinham até da professora -, eu me virei, sentei normalmente, e começei a olhar seriamente para a professora. Percebendo isso e, ainda sorrindo, ela me pediu desculpas, disse que ela se confundiu e eu disse: “Tudo bem. Eu não disse nada!”. Mas, dentro de mim, já surgia a agonia e o desespero. Eu me sento muito longe da porta, mas, minha vontade era de ir embora e nunca mais voltar ali. Pronto, naquele momento eu tive uma espécie de “déjà vu“, me senti no oitavo ano, novamente, quando eu fui perseguido, insultado e humilhado. Me vi na escola pública, cercado de pessoas que olhavam para mim e tiravam sarro da minha cara. No final da aula, a professora me pediu desculpas mais uma vez, eu não respondi e fui embora. Dias depois, eu percebi que a zoação não iria cessar, então, começei a ter as mesmas atitudes que tive no oitavo ano, me trancar, sair de perto, fugir, não sorrir, sempre fechar a cara e tentar ser o mais imperceptível possível.
Ontem, 18 de Agosto, estávamos na sala de aula com a diretora da escola, e a coordenado pedagógica e educacional que estavam comentando sobre a formatura – que por sinal eu não foi fazer. Então, ela perguntou “quem, de nenhuma maneira, vai fazer a formatura?” e, eu fui o primeiro a levantar a mão. Imediatamente, eu vi alguns comentários surgir e, tive a impressão de ter escutado os tais comentários, mas, como eu não tenho certeza do que eu ouvi, prefiro não postar aqui. Mas, logo pensei “se eu consegui ouvir, é óbvio e até racional que a diretora tenha escutado esse comentário”, mesmo porque, os comentários não foram o pior, o que mais me entristeceu naquele momento foi as risadas descaradas que surgiram em seguida e os olhares indiscretos em direção a mim. Me senti perdido. Se eles não sentem intimidados com a presença da direção, então, onde eu posso conseguir ajuda?
Me sinto perdido. Não quero voltar para aquele lugar, não mesmo. Hoje tive a desculpa de ser meu aniversário e faltar, mas, amanhã eu vou ter que desculpa? E segundo? E todos os demais dias? Vou viver novamente trancado na minha casa, local que eu acho mais seguro. Eu ainda não sei o que fazer. Sei que eu não posso viver dessa maneira, me escondendo, mas, não vou me arriscar novamente, passar toda a humilhação, dor e sofrimento que passei na escola pública. Afinal, estou em uma instituição particular, por que eu sofri muito em organizações públicas.
Ultimamente, tenho pensado sério em escrever um livro. Aliás, isso não é uma ideia nova. Desde 2006, eu tenho essa vontade de escrever um livro contando tudo o que eu vivi, tudo o que passei e, até pegar relatos de outras pessoas que sofreram humilhações e agressões físicas e psicológicas. Hoje, deveria ser um dia em que eu deveria me alegrar, estar feliz, me divertir, não se preocupar, pois, hoje, 19 de Agosto, é meu aniversário. Mas, eu vejo que isso, talvez, não seja possível, uma vez que eu já estou pensando no que fazer amanhã.
Sabe aquela famosa frase: “quanto mais eu rezo mais assombração me aparece”? Então, foi o que aconteceu semana passada, depois da publicação do post “I Try”. Na noite do dia 14 de Julho, como sempre, estava de bobeira na internet, por volta das 22:00h, de repente meu celular toca. Sinceramente, pensei que era mais uma mensagem promocional da minha operadora, mas, acabei me surpreendendo.
Era o Jonas – imagina a minha reação -, na mensagem, ele disse que sentia minha falta, dizendo que eu sou o melhor amigo dele. Imediatamente eu respondi a mensagem, dizendo que também sentia sua falta e, que eu entraria no Messenger para podermos conversar.
Naquele momento, eu vi tudo alegre. Se eu andava estressado, agora aquilo era coisa do passado. Ainda mais, naquele dia, que eu estava puro nervo – tanto que meu padastro me comparou ao Felipe Melo, imagine. Estava cansado de ter que passar as minhas férias na frente do computador, ou de uma televisão, ouvindo o meu avó reclamar da vida, da política, da novela, da violência, enfim, de tudo. E, apesar de tudo o que eu acho e penso, eu ainda senti uma ponta de esperança ardendo no meu coração. Mas, uma pequena frase ainda me prendia “você é meu melhor amigo“.
Melhor amigo? Isso não me basta! Eu quero mais, quero ir além disso. Tudo bem, calma. Vamos lá. No dia seguinte, 15 de Julho, lá estava eu no Messenger, online finalmente, mas, com uma frase bem característica da minha vontade “Não quero falar com ninguém, NINGUÉM!”. Graças à Deus, todos respeitaram a minha vontade, afinal, estava online no Messenger apenas para uma pessoas, estava ali apenas para uma pessoa. Por volta das 20:00 ele entra no comunicador e começamos a conversar.
Nada do que eu imaginei. Nada do que eu idealizei. Nada do que eu sonhei estava acontecendo. Ora, imagina ele todo carinhoso, como sempre, mais amável, dizendo que estava morrendo de saudades, que a minha ausência tinha afetado negativamente o seu dia-a-dia, que pensava em mim todos os dias, ou às vezes, que tentou me ligar e não conseguiu… (eu sei, eu exagero, mas, o que eu posso fazer?).
Entretanto, o que eu vi foi um ser humano carinhoso, não vou mentir, mas, seco, meio frio em alguns momentos. Tanto, que durante algum tempo eu me senti sentado conversando com alguém, e ela, de repente, se levanta e vai embora me deixando falando sozinho. Depois, ela volta dizendo que está apressada e precisa ir. E foi o que aconteceu, infelizmente. Conversamos durante alguns momentos, ele me contou alguns problemas, perguntou sobre os meus problemas, eu disse alguns, aliás, acho que acabei até me desabafando com ele – coisa que eu não faço a mais de dois ou três meses. Em seguida, ele se “ausentou”, ou melhor, ele me deixou falando sozinho e voltou dizendo que estava cansado e iria sair.
Espero que ele tenha matado a saudades. Que, ao menos, tenha sido bom para ele conversar comigo. Antes que ele saísse eu disse que precisava falar algo muito sério com ele, mas, não naquele momento, não naquele dia. Ele disse que estava bem. Isso me intrigou e me angustiou muito. Normalmente, ele ficaria aflito para saber sobre o que se tratava. Eu interpretei isso como um “eu já sei o que você vai me dizer”.
Ontem, 18 de Julho, conversei um pouco com Michele sobre isso. Ela disse que ele voltou para me atormentar. Velho fantasma. Eu contei à ela que estava pensando em abrir o jogo com ele, dizer que eu gosto dele, não como amigo, ou, “melhor amigo”. Contudo, ela me aconselhou no sentido de esquece-lo e, seguir a minha vida como eu estava seguinto.
Eu, sinceramente, não sei o que fazer. Me sinto na frente de uma estrada com mil caminhos diferentes e com placas indicando para todos os caminhos. O título da postagem é, também, título de uma canção de Marisa Monte que retrata tudo o que eu estou passando e pensando nesse momento.
Tentar. Esse é o verbo que mais tem permeado a minha mente nos últimos dias e meses. Depois de tudo e de tanto chorar, gritar, sofrer, passar noites em claro, e refletir nos comentários de minha última postagem, resolvi tomar uma decisão em relação a essa situação: me afastar. Sem outra opção, achei que seria melhor. Poderia concentrar minha atenção aos meus estudos, amigos, família, enfim, a tudo que não me fizesse chorar ou me frustrar.
Tempos atrás, conversávamos pelo Skype – como de costume -, e ele começou a me perguntar, novamente, por meus relacionamentos, queria saber se eu estava me envolvendo com alguém, ou se estava apaixonado. Além disso, ele me perguntou o que estava acontecendo comigo, pois, ele percebia que eu estava estressado, atormentado e angustiado com algo. Então, eu disse que estava assim por diversos motivos. Disse que eu achava que estava gostando de alguém, mas que tinha dúvidas sobre isso. Mas, depois eu acho que eu fui muito direto e sai pela tangente dizendo que outras coisas estavam me irritando demais. Estava cansado de ouvir os problemas dos outros, de sempre ver as pessoas reclamando da vida. Ele pediu desculpas por ser assim comigo, mesmo eu dizendo que não era com ele que estava irritado.
Depois disso, nossa relação foi diminuindo… Não éramos mais os mesmos. Estávamos desgastados e, como eu objetivava me afastar dele, aos poucos fui tomandos algumas atitudes para que isso, de fato, ocorresse. Se bem, que não precisei fazer muito esforço, já que, como eu disse, estávamos desgastados. Aos poucos, deixei de entrar no Skype, como fazia antigamente, depois foi o Messenger, e as redes sociais, por fim, continuei apenas com o twitter. Mais de um mês inteiro vivendo assim, coisa que eu pensei que nunca conseguiria fazer. É claro que eu não abandonei totalmente, acessava esporadicamente para atualizar algo (menos o Skype e o Messenger).
Como conversávamos todos os dias, e quase todos os momentos, tive que procurar algo para preencher aquele tempo. A música foi uma das alternativas mas, eu não me contentava. Mesmo porque, depois de um “varedura” na minha biblioteca percebi que mais da metade das canções eram melodramáticas, amorosas ou depressivas.
A música já é algo que anda comigo, faz parte de mim – o blog é uma prova disso. Mas, não foi preciso procurar muito para encontrar uma nova distração, pois em 11 de Junho começou a Copa do Mundo FIFA África do Sul 2010, que, surpreendentemente, aos poucos, começou a ser um dos meus focos – algo que eu chamo de “histórico”, já que eu odeio futebol (ou odiava). Torci como nunca nessa Copa do Mundo, não perdia nenhum jogo. E, claro, aproveitava para dar uma olhada nas seleções mundiais, no quesito beleza e outros mais. Ao lado do meu avó, assisti todos os lances, e comentava também (para minha surpresa e para a de todos).
Até o momento, meu objetivo estava sendo alcançado. Apesar de quase todos os dias, eu acessar o perfil dele no twitter e em outras redes sociais para ver o que ele andava fazendo e com quem estava falando – chegando as vezes a me entristecer -, eu mantinha o pensamento de não conversar com ele. Até que, depois de algum tempo – muito tempo, pelo menos para mim -, ele deixou uma mensagem no twitter. Eu respondi. Fim.
Pensei: “Tudo bem, era o que você queria, não era?”. E, por mais que eu realmente deseja-se acabar com o sentimento (ou aquilo que eu sinto - pode chamar de desejo se você quiser) por ele, eu, no meu íntimo, não queria aquilo. Mas, ao mesmo tempo, não podia continuar sofrendo, muito menos passar por tudo aquilo que eu já tivera passado dias e meses atrás. Desde o dia em que eu decidi me afastar, meu lema era “Even though I really love you… I’m gonna smile ’cause I deserve to!”.
Tentei demonstrar a ele que “eu consigo viver sem você” (eu sei que isso pode parecer infantil). E, apesar de muitas vezes ter pego o telefone e até discado o número, eu permaneci fiel ao meu objetivo. Mas, parece que ele não queria colaborar. Voltou a me mandar uma mensagem pelo twitter, e eu respondi falando que estava com problemas em meu computador – argumento que creio não ter surtido efeito. Focado em mim, e mergulhado em meu egocentrismo, não percebi que me afastei, não apenas dele, mas de todos de um modo geral. Começei a me depara com perguntas do tipo “Você está bravo comigo?” e “Eu fiz algo que você não gostou?”, além de telefonemas com pessoas me perguntando se eu estava bem e se tinha ocorrido algo.
Resolvi dar sinal de vida dias atrás quando entrei e a Michele veio falar comigo, perguntou o que estava acontecendo. Disse que só queria me afastar dele e expliquei o que eu estava tentando fazer. Ela me falou que até concordava com a minha ideia, mas, não a maneira em que eu estava tentando fazer, pois, estava me afastando de tudo e de todos. Marcamos de sair no dia seguinte. Fomos a sua universidade e, conversamos mais sobre o assunto.
A pouco tempo atrás eu criei o meu Facebook e eu não sei, até hoje, utilizar corretamente o sistema, mesmo por que, nem tempo eu tinha para aprender e fuçar. Mas, ultimamente eu troquei o Facebook pelo Orkut e, dentre as pessoas que me adicionaram um veio falar comigo. Espanhol, 31 anos, bonito e jovem (tanto que eu pensei que ele tinha 23 à 26 anos). É claro que eu não crio espectativas em cima disso, mas, no mesmo dia em que esse cara veio falar comigo, o Jonas também me chamou para uma conversa naquele sistema que o Facebook oferece (semelhante ao que o Google disponibilizou no orkut). Ele perguntou como estava e depois de um rápido papo, ele disse que teria que sair e disse: “se quiser entra no MSN“.
Essa última semana e, especialmente hoje, 12 de Julho, eu senti algo, que a um mês eu sentia, mas, dessa vez foi mais forte. Uma vontade de ligar, conversar com ele, voltar a sermos o que nunca mais seremos (eu sei). Resolvi acessar seu orkut para visualisar suas fotos e senti um forte aperto no coração. Acho que eu não tenho mais como fugir dele. Pelo menos, mais uma vez, eu tentei…
Às 6:00, como era de se esperar. Levantei, já querendo chorar. Coração ainda estava apertado, parecendo que alguém tinha enfiado a mão no meu peito e estava apertado meu coração com toda a força. No banheiro, não queria nem olhar meu reflexo no espelho, mas, olhei: Olhos inchados, olheiras bem marcadas, além do rosto cansado e abatido. Todos perceberam que eu não estava bem, mas, ninguém comentou nada. Eu já estava atrasado, me arrumei rapidamente e saí de casa. Eu não sei se você percebeu, mas, eu sempre estou ligado à música. Eu respiro, vivo música, saindo de casa com o fone a primeira música que começa a tocar é “Bleeding Love”, de Leona Lewis. É ai, que novamente eu começo a chorar. Andando pelas ruas, as pessoas pareciam que nunca tinha visto alguém chorar. Não reparei muitos em suas faces, mas, podia sentir que alguns realmente me olhavam com dó. Mas, eu não ligava, aquele era um momento que eu sabia que teria que passar (mesmo que novamente), foi melhor assim, as lágrimas eram desabafo. Cada gota era uma palavra que eu não conseguia proferir.
Não absorvi muitas informações naquele dia, pra mim o que os professores falavam era “blá-blá-blá”. A primeira aula, Literatura, eu passei até que bem. Procurei não pensar nele, não ver ele, me concentrar, afinal, eu gosto de Literatura, ainda mais brasileira, e era o momento que eu tinha para me desligar de tudo o que me machucava. Debati, troquei informações, conversei, esborçei sorrisos, leves, fracos, falsos, mas, eram sorrisos. Cheguei a até pensar que eu tinha superado o ocorrido.
Na segunda aula em diante a coisa desandou. Se eu pensava que tinha superado, agora eu tinha certeza que não. A aula era de matemática, seguida de três aulas de linguagem de programação (exatas pura). A professora de matemática tirou o dia para me atentar, tudo o que ela fazia ela olhava pra mim e/ou perguntava o que e achava, para ver se, realmente, eu estava prestando atenção nela. As três aulas seguintes, linguagem de programação, são realizadas no laboratório, com acesso à internet e, é óbvio que eu não poderia deixar de acessar o meu perfil no orkut e no Twitter. Eu entrei no orkut dele, para ver se tinha alguma coisa – parece que a gente gosta de se machucar né? Às vezes nós sabemos que aquele caminho tem espinhos, mas, insistimos em ir por ali! -, felizmente, não encontrei nada! No Twitter a mesma coisa.
Ainda tive Inglês, que passou como uma aula vaga pra mim. Pela primeira vez, eu debrucei sob a mesa e, com fone nos ouvidos começei a chorar silenciosamente. As duas últimas aulas – toda segunda eu tenho 7 aulas -, eram de Sociologia e Filosofia, ambas aplicadas pela mesma professora, que eu tenho como colega. Ela percebeu que eu realmente não estava em um bom dia e, nem comentou nada comigo, muito menos ficou me perguntando o que eu achava, ou se eu sabia do conteúdo que ela tinha falado. Meu desejo naquele momento era saber quem era aquele menino, o que os dois tinham, se eram namorados, quando ele tinha conhecido esse menino, entre outras dúvidas que me assolaram o dia inteiro.
Ao ouvir o som da campainha, sai como um foquete. A Nathalia estava comigo, enquanto esperávamos o ônibus ela falou sobre muitas coisas, mas, eu realmente não estava com cabeça para ouvir ela. Eu estava em um momento meu, estava sofrendo demais já e ela ainda queria que eu ficasse pensando nos problemas que ela tem? Ao chegar em casa a primeira coisa a fazer foi ligar o computador e abrir o Skype (ele não utiliza o MSN, apenas o Skype, que funciona de uma forma semelhante, mas é voltada mais para conversas com áudio).
Eu perguntei à ele se ele tinha algo pra me dizer, ele disse que não, eu insisti, ele disse que não se lembrava de nada alegando que ele sempre me contou tudo o que se passou e o que se passa na vida dele. Foi então que eu disse que tinha que conversar com ele, mas, não naquele momento, por que ele estava em local de trabalho. Curioso, ele pediu para que eu, ao menos, falasse sobre o que seria essa conversa, eu disse que não iria falar. Naquele momento eu já estava conversando com Michele pelo MSN, ela estava me orientando e tentando me acalmar, fazer com que eu reorganizasse a minhas ideias. Foi então que ele falou: “É sobre o viadinho de Goiânia?”, eu disse: “Viadinho de Goiânia? O único ‘viadinho de Goiânia’ que eu vi foi um morto no acostamento”. Ele riu e, disse que eu tinha interpretado errado. Ele se referia ao menino que mandou à ele aquelas mensagens carinhosas. Com o coração na mão, eu disse que não era sobre ele que eu queria falar (mentira) e, em seguida perguntei tudo o que eu queria saber.
Ele disse que conheceu esse menino a uma semana – Esse menino é o mesmo da primeira parte desse post (“Love Is My Disease”) e “Distance And Time”. Ele me garantiu, colocando ainda em ‘Caps Lock’, que ele não tem nada com esse menino, ele apenas gosta de receber elogios, e esse menino faz muitos (eu sou testemunha disso), apenas isso, quando ele enjooar ele o excluirá (eu realmente espero que isso aconteça e, que aconteça em breve, o mais rápido possível).
Leonino. Estudante de produção fonográfica pela Universidade Anhembi Morumbi, apaixonado por música, arte e política. O resto você conhece lendo minhas postagens... Divirta-se!